Mineiros da Panasqueira mantêm greve após reunião sem acordo

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Os trabalhadores das Minas da Panasqueira, no concelho da Covilhã, vão manter a greve por aumentos salariais, depois de não terem chegado a acordo numa reunião com a empresa, foi hoje anunciado.

A greve de duas horas diárias tem início marcado para segunda-feira e prolonga-se até ao dia 08 de maio, visando aumentos salariais superiores à proposta da empresa.

Em comunicado enviado à agência Lusa, a Beralt Tin and Wolfram Portugal (empresa que detém a exploração das minas e que é propriedade do grupo canadiano Almonty) garante que já melhorou a proposta inicial de aumento e acusa o Sindicato de Trabalhadores da Indústria Mineira (STIM) de intransigência.

Igualmente em comunicado, o STIM devolve as críticas, garantindo que a proposta está “muito longe de satisfazer minimamente as justas reivindicações dos trabalhadores”.

As duas entidades esclarecem que foi realizada na terça-feira uma reunião, com mediação da Direção Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT), sem que se tenha chegado a acordo.

Segundo a empresa, o STIM manteve “intransigente e incompreensivelmente” a exigência de um aumento do salário base de 50 euros mês por trabalhador (equivalente a 6,05%), valor a que a empresa garante não poder fazer face devido aos prejuízos acumulados.

Segundo diz, apesar das dificuldades, aumentou a proposta inicial de um aumento base de 0,5% para 0,75%, bem como dos subsídios de turno, “o que concentrando tudo no salário base, representa um aumento de 1,6%”.

Acrescenta que se comprometeu a reavaliar a situação entre finais de julho e início de agosto e reitera que, no conjunto dos últimos nove meses, a empresa apresenta prejuízos de 4,4 milhões de euros, em virtude de inúmeros problemas provocados pela situação pandémica no setor.

A Beralt Tin deixa ainda a questão sobre o que pretende STIM quando exige “aumentos seis vezes superiores à inflação”, a uma empresa com prejuízos de mais de quatro milhões de euros e conclui que isso “dá que pensar”.

Já o STIM não aceita a versão dos prejuízos e alega que “dinheiro é coisa que não falta” à empresa e ao grupo canadiano.

“Entretanto, para além dos novos investimentos que a empresa se prepara para fazer em novas explorações no norte do país, tomámos conhecimento que foi concluído um acordo de compra pelo grupo Plansee de mais de 10 milhões e meio de ações ao Grupo Almonty, no valor de 1,06 dólares cada uma, o que corresponde a um valor de 11 milhões 222 mil e 279 dólares, para além de outras garantias milionárias”, fundamenta.

No comunicado em que apela à adesão à greve, esta estrutura sindical afeta à CGTP diz que a “administração da empresa só não melhora as condições de vida e de trabalho dos trabalhadores porque não quer” e frisa que “a satisfação das reivindicações dos trabalhadores, para o grupo Almonty e para os novos acionistas, são apenas trocos”.

Garantindo que a luta é para continuar, o Sindicato Mineiro também ressalva que está disponível, “a todo o momento”, para reunir com a administração e resolver o conflito.

As Minas da Panasqueira são a única exploração de extração de volfrâmio a laborar em Portugal e empregam trabalhadores essencialmente oriundos dos concelhos da Covilhã e Fundão, no distrito de Castelo Branco.

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