Opinião: Renaturalizar a Ilha

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A Morraceira é um território especial e por isso cobiçado. Nos últimos anos nota-se um especial interesse por parte da aquacultura e uma pressão urbanística e industrial acrescida. Perante este cenário interessa reforçar a fiscalização e ordenar detalhadamente os usos a dar ao espaço da Ilha da Morraceira.
Haverá que encontrar um equilíbrio entre as vivências seculares do espaço, as salinas por exemplo, e a pressão da piscicultura e turismo. Urge ainda melhorar as condições para que a vida selvagem aí encontre um refúgio seguro. E nesta tensão entre o espaço semi-selvagem e a pressão da aquacultura é que está a mestria política. São necessários compromissos políticos fortes, desde logo com o desenvolvimento sustentável e combate às alterações climáticas.
E aqui estamos muito longe do necessário investimento na descolonização do território e na passagem de determinados segmentos à natureza. Entenda-se esta afirmação como uma visão de preservar a biodiversidade e os serviços de ecossistema, por vezes, condicionando a atividade económica em benefício da renaturalização dos espaços, sejam sapais, caniçais ou arrozais.
A par destes objectivos que para muitos encerram um pensamento “fora da caixa” está a necessidade terra-a-terra de dinamizar o Museu do Sal que atravessa uma espécie de crise existencial. Aquele espaço poderia ser um verdadeiro ex-libris da Figueira caso fosse devidamente explorado e valorizado. Outras necessidades importantes passam pela eliminação de redes de protecção usadas em pisciculturas que estão a matar aves ameaçadas até à remoção de resíduos e “anexos” que desfeiam a paisagem.
Planear a atividade lúdica e turística, acreditando numa retoma pós-pandemia, em torno dos valores naturais é “o” objectivo. Levar os munícipes a vivenciar mais aquele espaço, incluindo uma forte componente educativa com visitas dos alunos à Morraceira, conduzindo à defesa da riqueza natural e paisagística.

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