Opinião: Prioridade à direita

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Não, este não é um artigo sobre política. É sim um artigo sobre o código da estrada.
Quando cheguei a Bruxelas vim sem carro, mas ao fim de alguns meses importei o que tinha em Portugal. Sabia que a condução era caótica e obviamente mais complicada que em Coimbra, mas estava preparada e achei que me faria falta um meio de transporte.
Temos aquela ideia generalizada que a condução na Europa é relativamente homogeneizada, com regras e sinais de trânsito idênticos. Conduz-se pela direita; é proibido manipular telemóvel ao volante; obrigatório o cinto de segurança, cadeirinhas de criança, etc; conduzir sob efeito de álcool e/ou drogas é sancionado; etc.
Na Bélgica, as auto-estradas são gratuitas e os eléctricos têm sempre prioridade. No entanto, para mim, o que é mais distinto é o sistema de estacionamento (provisório, residente, excepcional, zona vermelha, zona verde, e tantas outras especificidades que diferem de freguesia para freguesia). Depois, na minha opinião, há demasiadas excepções a tudo: trânsito proibido das x às y horas, estacionamento possível só à sexta à tarde, e outros que tais.
Mas o mais chocante é a regra da prioridade à direita. É algo que não me parece natural – imaginem vir na Rua da Sofia em direcção ao centro de Coimbra, numa artéria que é em linha recta, e ter de parar para dar prioridade aos carros que vêm das estradas à direita. E esta é a regra, não a excepção. Julgo que poderei ter perdido anos de vida com os sustos que já apanhei em grandes avenidas, com as entradas da direita – Actualmente, após quase 13 anos por cá, já só perco anos de vida em Coimbra, quando vejo um carro a aproximar-se pela direita.
Dizem eles que esta medida provoca uma diminuição da velocidade a que se circula nas artérias principais. Eu diria que não está a resultar, mas que por alguma razão os carros são muito mais baratos na Bélgica que em Portugal. E se calhar não é por acaso que a Bélgica é o país do surrealismo…

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