Opinião: Honrar o passado

Posted by

A lista que ganhou as eleições para os corpos sociais da Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra, apresentou-se sob o lema “Honrar o passado, construir o futuro”, definindo o rumo que queremos seguir.
Por isso, vamos lançando algumas iniciativas para construção do futuro, mas também não esquecemos o passado.
Ora Abril, que amanhã se inicia, é particularmente marcante para a Academia de Coimbra, já que foi neste mês, em diferentes anos, que os estudantes protagonizaram acontecimentos relevantes.
Assim, foi a 4 de Abril de 1954 (há 67 anos) que ocorreu o episódio que ficou conhecido como “Tomada da Bastilha II”.
E foi a 17 de Abril de 1969 (há 52 anos) que se iniciou a “Crise Académica de 69”.
Comecemos pela “Tomada da Bastilha II”. A Bastilha, como se sabe, era uma fortaleza-prisão, situada em Paris, e a sua ocupação (em 14 de Julho de 1789 ) é um dos símbolos da Revolução Francesa. Daí que quando um grupo de estudantes de Coimbra ousou ocupar o “Clube dos Lentes” (em 25 de Novembro de 1920 ), reclamando instalações para a Associação Académica, a esse gesto fosse atribuída a designação simbólica de “Tomada da Bastilha”.
Mais de três décadas volvidas, outro grupo de estudantes da Universidade de Coimbra atreveu-se a tomar de assalto o Instituto de Coimbra, reclamando uma nova sede para a Associação Académica de Coimbra. O sério risco que correram foi recompensado, pois daria origem a que o Governo avançasse com a construção do edifício-sede da AAC, que engloba também o Teatro Académico de Gil Vicente.
Mas a maior de todas as ousadias foi a protagonizada por milhares de estudantes de Coimbra em 17 de Abril de 1969, quando se atreveram a pôr em causa o velho “Estado Novo”, depois do então Presidente da República, Américo Tomás, ter tentado impedir que o Presidente da AAC usasse da palavra na cerimónia de inauguração do edifício das Matemáticas. Muitos dirigentes estudantis foram presos pela PIDE, a maior parte deles incorporados no Exército, enquanto se assistia à maior das greves a exames e ao mais prolongado “luto académico”.
Eu acompanhei de perto a “Crise Académica de 69”, pois ainda era estudante mas também já era jornalista (o que não impediu que levasse umas bordoadas em duas das cargas da “Polícia de Choque”). Nessa época, centenas de estudantes arriscaram o seu futuro, enfrentando a repressão, lutando por uma Universidade mais aberta e por uma sociedade mais justa.
Ao seu espírito de sacrifício, juntou-se depois o trabalho de politizarem militares do quadro, nos vários quartéis do País e das Colónias por onde foram espalhados – o que seria um relevante contributo para o Movimento das Forças Armadas (MFA) que levou a cabo a Revolução de 25 de Abril de 1974.
A Associação dos Antigos Estudantes de Coimbra irá assinalar estas efemérides, assim honrando o passado e o seu compromisso.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.