Opinião: Tempo certo

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As Eleições Autárquicas devem ser adiadas?

O tema desta semana tem estado na ordem do dia na política nacional. Mas não tem sido um assunto consensual entre os partidos e na opinião da sociedade em geral. A pandemia da Covid-19 transformou, por completo, a nossa normalidade ao nível familiar, social e profissional.
Na política não é diferente. A falta de contacto com os eleitores, altera a forma, de fazer acontecer, para quem está no poder ou para quem o quer alcançar. Para muitos, este afastamento até “dá jeito”. Mas, para a mensagem partidária chegar às pessoas, o fator proximidade é fundamental.
Passámos, recentemente, por eleições para a presidência da república. Já na altura, o tema do adiamento foi posto em cima da mesa, mas, principalmente, por questões constitucionais, não avançaram com a ideia.
O medo do aumento da abstenção e o receio de perder votos, mais para a esquerda ou para a direita, devido aos efeitos colaterais da pandemia são os principais fatores que assombram aqueles que entram diretamente na corrida eleitoral.
As eleições autárquicas estão a poucos meses de se realizarem e, quando se fala em concelhos e freguesias existe logo uma correlação com ações de campanha de rua, porta a porta. Este contacto direto com a população marca pontos para possíveis vitorias. E o vírus, infelizmente, ganha esta batalha e, não permite esta aproximação.
Numa tentativa de que seja tudo como antes, muitos são aqueles que “voltam à carga” com a questão de um possível adiamento. E aqui deixo as primeiras retóricas: Faz sentido adiar eleições perante o futuro incerto que ainda paira no ar? O combate ao vírus é o objetivo a cada dia que passa, mas conseguimos prever, com todas as certezas, que o país estará fora de perigo depois de outubro?
Ainda não se sabe, na sua maioria, quem serão os candidatos a concorrer às próximas eleições. Muitos menos sabemos os programas eleitorais das candidaturas. Mas o que interessa para muitos políticos é o “timing” para tentar “passar a perna” a um inimigo invisível. Diria que as prioridades estão um pouco invertidas. Não concordo, em nada, com esta ideia. Ao invés de discutirem datas, reflitam, seriamente, sobre o problema da participação eleitoral. Já era tempo!

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