Opinião: O que é que faria a diferença?

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Há uma enorme desencontro entre o que procura o poder político e aquilo que as comunidades precisam para se desenvolverem e serem felizes. O poder político, essencialmente centrado em partidos nacionais e organização transversais, avalia-se por ganhos e perdas na contabilidade eleitoral. Os partidos, fortemente desertificados de quadros e sem grandes objetivos civilizacionais, já não têm nada de idealista, pelo que, são mais-ou-menos como o Benfica: se a bola entra e o clube ganha, é o maior do mundo e o seu treinador é endeusado e pago a peso de outro, se a bola teima em não entrar e os resultados não aparecem, é o pior do mundo, os dirigentes não fazem ideia do que é gerir e o treinador, antes elogiado por tudo ter ganho (até um samba lhe dedicaram), passa a incompetente. Coimbra é uma bolinha num mapa de perdas e ganhos que se joga na noite eleitoral. Pode determinar o futuro de uma liderança partidária, transformar uma derrota eleitoral em algo aceitável, dadas as circunstâncias, ou até numa vitória. E é só isso.
As comunidades procuram resolver os seus problemas. São sensíveis a melhorias na educação, na qualidade de vida, na capacidade da sua cidade e região atrair atividade económica e emprego, querem melhores espaços verdes, mais desporto, mais cultura, mais oportunidades para os jovens e, na verdade, a capacidade de oferecer aos seus cidadãos uma experiência muito interessante de vivência na comunidade. Pouco importa o partido que ganha as eleições e, na verdade, é totalmente irrelevante o resultado eleitoral, mas sim o potencial que esse resultado tem de se transformar em ações concretas.
O desencontro entre estes dois objetivos é preocupante. Muitos dirão que a democracia estará em causa, outros que estará doente e outros que tudo isto é somente um momento de menor clarividência dos dirigentes políticos e que a democracia tenderá a afastar os maus e eleger os bons.
O que faria a diferença seria uma proposta diferenciadora, centrada em objetivos palpáveis e afastada da contabilidade eleitoral nacional, mas antes que mobilize a comunidade e procure parceiros nacionais e internacionais que tirem partido de algumas potencialidades que nos restam. Isso não é nada fácil de fazer e precisa de uma personalidade muito própria, com mundo, visão e capacidade de agregar, percebendo bem as dinâmicas nacionais e regionais para posicionar a cidade e região como o centro de uma forte iniciativa multipolar que envolva todas as outras cidades médias da região centro.
Tudo o que seja feito diferente disto será um fracasso. Mais um. A vitória eleitoral de quem quer que seja será mais uma derrota para todos nós.

 

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