Opinião: Ninguém tem o direito

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Concorda com a eutanásia?

 

Não deixa de ser irónico que, no período mais exigente para os cuidados de saúde e no meio de uma mortandade como há muito não se via, o Parlamento Português tenha aprovado a Lei que legaliza a eutanásia.
Os principais argumentos a favor da eutanásia e/ou suicídio assistido (de facto não são o mesmo, mas não tenho aqui espaço para o fundamentar) são o alívio da dor (experiência sensorial ou emocional desagradável, associada a lesão, real ou potencial), e do sofrimento (experiência subjetiva e individual, dependente de fatores somáticos e psicológicos), considerados insuportáveis pelo paciente, para além do respeito pela sua autonomia.
Quanto aos principais argumentos contra, são o da inviolabilidade da vida humana, o do risco de mau uso e o da missão da medicina, assim posta em risco, já que a ética e a deontologia profissionais são estruturalmente abaladas.
Ou seja, os argumentos a favor da eutanásia e/ou do suicídio assistido são suficientes e satisfatórios, a um nível tal que justifique a sua legalização? Julgo que não! Porque os Cuidados Paliativos, hoje, possibilitam o tratamento eficaz da dor e do sofrimento físico considerado insuportável pelo paciente.
Porque a legalização da eutanásia e/ou do suicídio assistido, em vez de promover a autonomia dos pacientes face ao poder dos médicos, acaba por conceder ainda mais poder aos profissionais, pois são eles quem decide se a pessoa cumpre ou não os critérios para ter acesso a uma morte antecipada.
Porque é, afinal, um enorme retrocesso civilizacional, que nos leva de volta ao Período Arcaico dos cuidados de saúde, no qual a ajuda ao suicídio, comum e socialmente aceite no mundo antigo greco-romano, quando não havia esperança de cura, era executada através da secção de vasos sanguíneos ou da administração de venenos. Finalmente, como relativamente à pena de morte, porque ninguém tem o direito de tirar algo que não pode criar.

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