Opinião – VOTE?

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Estão marcadas para domingo as eleições presidenciais. No boletim de voto estão os nomes de 8 candidatos, mas só 7 são verdadeiros candidatos. Um dos nomes não corresponde a um candidato válido. Portanto, se votar nesse candidato o seu voto será NULO. São estas as intermitências da nossa tão maltratada democracia.

Vivemos um momento gravíssimo, com o SNS a falhar e na iminência de ter de recorrer a ajuda internacional. O número de infeções ronda as 15 mil por dia (provavelmente já no limite de testagem e com vários especialistas a considerarem que o verdadeiro número é superior a 20 mil infeções diárias), só ontem morreram 234 pessoas devido a Covid-19 e na quarta-feira passada o registo de óbitos bateu um record: 721 mortos em Portugal num só dia.

O nosso SNS está obviamente no limite, havendo registo de ruturas várias nos hospitais (medicamentos, oxigénio, etc.). O pico desta 3ª vaga só vai acontecer dentro de 3 ou 4 semanas e é evidente o desespero dos responsáveis políticos. Atuaram mal, não anteciparam, não deram exemplo, não prepararam e agora estão desesperados.

Na passada quinta-feira, na Assembleia da República, a Ministra da Saúde fez um pedido de ajuda dirigido, sem dúvida, a António Costa (PM) e Marcelo Rebelo de Sousa (PR): “Por favor, ajudem-nos todos!”.

Não posso deixar de registar o desespero de uma ministra que foi, infelizmente, ineficaz na tentativa de convencer o Governo de que faz parte sobre a gravidade do momento que vivemos. Não tem peso político, cometeu demasiados erros, fragilizou várias vezes a sua posição, pelo que não consegue que o Governo a acompanhe na necessidade de medidas eficazes contra a pandemia.

É neste cenário, fortemente negativo para todos, mas em especial para os mais velhos e mais frágeis, que o Governo e o Presidente da República, depois de terem fechado as escolas por 15 dias, fechado restaurantes e centenas de outros negócios, lhe dizem a si que deve sair de casa para ir votar.

Isso, aparentemente, é seguro e “uma forma de resistência contra o vírus” (Ferro Rodrigues, Presidente da Assembleia da República). Pois eu penso que devemos ser bem mais conscientes e cautelosos, pois trata-se da nossa vida e do bem estar e segurança de todos nós, pelo que lhe recomendo que avalie por si próprio a situação. Verifique, no dia da votação, se há condições para o fazer em segurança.

Estará a chover e é bem possível que existam filas no interior dos edifícios onde estão as urnas. Será mais complicado, por isso, manter distâncias e, assim, realizar o dever de votar em segurança. As superfícies molhadas podem, também, ser mais um desafio para se manter saudável. Os níveis de infeção, no limite e algo incertos, aumentam o risco de estar, por largos momentos (caso existam filas), perto de pessoas infetadas e assintomáticas.

A democracia não está em causa. Estas eleições poderiam ter sido adiadas, porque a realidade, a segurança das pessoas, a vida de muitos dos nossos compatriotas, assim o obrigaria. Não há nada que se sobreponha a isso. Se a Constituição da nossa República impede a proteção dos cidadãos, mesmo quando algo nos obriga a medidas defensivas de emergência, então está errada e tem de ser revista. Recuso-me a entender que a Constituição e a vontade de algumas pessoas se sobreponham ao bem comum. Se eu verificar que existe risco excessivo no dia da eleição, então, considerarei que o meu dever não é o de ir votar, mas antes o de ficar em casa. Será esse o exemplo que terei de dar.

Aos mais fracos e desprotegidos, que não é ainda o meu caso (mas lá virá o tempo), recomendo que avaliem bem as condições que têm para votar em segurança. Peçam ajuda para terem informação detalhada e avaliem. Na dúvida, protejam-se e fiquem em casa. Em qualquer dos casos terão cumprido o vosso dever.

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