Opinião – Sentada… A olhar à volta de um país sem respostas!..

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Sinto-me vazia como se estivesse sentada num banco de pedra fria a olhar à volta do meu País e não consigo uma resposta para tantas interrogações!…Interrogo-me como o meu País, tão belo e tão privilegiado, com portugueses que sempre o elevam em qualquer parte do mundo e dele têm orgulho mesmo quando emigram, consegue estar nos dois primeiros lugares do mundo pela pior das razões: Número de novos infectados e número de óbitos por COVID!into-me vazia como se estivesse sentada num banco de pedra fria a olhar à volta do meu País e não consigo uma resposta para tantas interrogações!…

Interrogo-me como quando da invasão desta pandemia, que nos surpreendeu a todos, os portugueses reagiram exemplarmente, de imediato e a tudo o que lhes foi pedido pelos nossos governantes no confinamento de Março, e hoje os vejo a correr, inconscientes, atrás do perigo!

Interrogo-me como é que, após algum fôlego com os números a diminuir, se tenha usado esse fôlego para tudo desbaratar nas praias, nos concertos, nos bares e nos sucessivos ajuntamentos, sem qualquer reacção por parte dos nossos governantes que, e diga-se em boa verdade que alguns deles nem deram o melhor exemplo ou até pareciam querer fomentar o contrário!

Interrogo-me como é possível que esse tempo não tenha sido aproveitado pelas autoridades sanitárias para prevenirem ou se prepararem para a segunda e terceira vagas que todos os cientistas sabiam que vinha a caminho e com redobrada intensidade.

Finalmente, interrogo-me como é que chegamos à actual situação, que muitos apelidam de pré-catástrofe mas não sei se já não será mesmo de catástrofe … e de caos!… Por exemplo, hoje, quarta-feira, registamos de novo um número assustador: 14 647 infectados e 219 óbitos!…

E interrogo-me como foi possível chegar a estes números? O que se passou ou o que se passa com os cidadãos portugueses e com aqueles que os governam? Instalou-se, e alguém pela sua passividade deixou que se instalasse, na mentalidade jovem, e não só, o facilitismo de viver com o vírus como se já nada houvesse para acautelar e cumprir!  Aqui, já não interessa atribuir responsabilidades ou dizer-se que se assumem responsabilidades, mas temos um Governo que falhou! Não previu … Não se preparou … Não preparou as estruturas de saúde para o que se sabia que vinha a caminho … Não soube definir atempadamente regras coerentes e claramente expostas… ou seja, falta de planeamento! Por outro lado, falta do poder de governar, da força de aplicar as leis doa a quem doer! Os normativos e as leis têm de ser justas e exequíveis… Depois, tem de ser vigiada a sua aplicação!… De outro modo para nada servem, a não ser para se perder o respeito a quem as publicou!… E não se pode deixar que o cidadão cumpridor sofra as consequências daqueles que não cumprem!… Isto é, ´necessita-se de um Governo e não de um desgoverno!

Por exemplo, como é possível que, no primeiro dia deste segundo confinamento, o trânsito nas ruas de Coimbra fosse o mesmo que no dia anterior, pois, apesar da maior parte dos estabelecimentos comerciais estarem fechados, nos passeios era intenso o movimento e os carros que circulavam imensos. Ninguém controla isto?…

Os nossos governantes não assistem aos programas televisivos (em qualquer dos canais) e não reagem ao desespero de todos aqueles profissionais de saúde que todos os dias acusam de estarem a trabalhar na linha vermelha? Ontem, em mesa-redonda, três profissionais de saúde  falaram das realidades que estão a viver, falaram substância, falaram verdades, mostraram receios que eram os mesmos para todos eles!… Ninguém os ouve? Tristemente, pouco depois, veio um político aliviar logo com uma conversa em que se repete o mais do mesmo, e dizendo que a solução está no comportamento dos portugueses! Para falar da nossa Cidade, reporto também o desconforto com que na TV falou hoje o Director do Serviço de Pneumologia dos SCHUC: Retratou, com clareza e mágoa, o que se está a passar com a falta de meios dentro do Hospital, sem deixar de referir a fila de ambulâncias à porta da Urgência e da impossibilidade dos doentes (com Covid e sem Covid…) entrarem para serem observados! E foram os próprios bombeiros a dizerem que alguns doentes chegam a ser observados nas próprias ambulâncias!

Hoje, um médico de um dos hospitais centrais já dizia: Nós não queremos palmas! Queremos meios para poder trabalhar … cada um que olhe por si para poder olhar pelos outros! É que, no estado actual desta crise pandémica, os profissionais de saúde sentem não estarem a ser respeitados e a não serem ouvidos nas suas dificuldades, muito particularmente pela classe política que deveria decidir ouvindo, escutando, a opinião de quem sabe e está no terreno. Termino como iniciei: Sinto-me vazia como se estivesse sentada num banco de pedra fria a olhar à volta de um país sem respostas.

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