Opinião – Desígnios inteligentes

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Quais devem ser os desígnios do concelho para esta década?

O maior desígnio para a Figueira nesta década é engendrar “um desígnio”. Faltam-nos objetivos claros e uma liderança com utopias transformadoras da realidade, no âmbito das profundas mudanças que a sociedade atravessa, o desafio das alterações climáticas e manutenção dos ecossistemas.
Precisamos que os eleitos ouçam a sociedade, desde os especialistas ao cidadão comum. Este é o desígnio número um, a boa governança. Partindo daqui, surgirão pactos locais sobre como investir e gerir os recursos, articulando melhor as diferentes atividades, desde a indústria, turismo e comércio, passando pela melhoria significativa da gestão do território. Precisamos de cuidar do rio e da costa, onde pontifica a erosão a sul e a acumulação de areia a norte. Necessitamos de passeios e ciclovias, retirando o carro do centro da mobilidade.
A qualidade estética e funcional dos espaços urbanizados é um desígnio maior que tem sido esquecido nos últimos anos. Deste desígnio resultam muitos outros. Um deles é a humanização progressiva dos espaços, e refiro-me não só ao centro nobre da cidade mas especialmente aos centros cívicos das vilas e aldeias, muitíssimo desprezados e em pré-ruína.
Precisamos de planos de pormenor delineados por arquitetos, paisagísticas, engenheiros, sociólogos, historiadores, médicos, professores,.. etc., pessoas que abracem a Figueira, que acrescentem uma abordagem multidisciplinar. E necessitamos de dinheiro, um plano de investimento a 10 anos.
A salvaguarda, e fomento da biodiversidade, é outro desígnio estrutural, tanto em terra como no rio e no mar. Criar uma zona de proteção no Cabo Mondego preservando-o, a par de investimento na melhoria das espécies nativas, tanto no campo como na cidade através de “laboratórios vivos”.
Por último, e porque o espaço desta coluna está a chegar ao fim, uma nota para as estratégias de empoderamento da comunidade: os cidadãos devem ser incentivados a cuidar da sua rua, do espaço verde do bairro, plantando árvores, regando-as, no fundo apadrinhando o “condomínio Terra”.

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