Opinião: Coimbra fervilha de ideias, tem um manancial de inteligência

Posted by

Quando em final de Dezembro Agostinho Franklin, diretor deste nosso Diário As Beiras, me convidou para escrevinhar umas breves palavras sobre cultura e as suas diversas vertentes numa óptica de presidente de junta de freguesia, não deixei de sorrir, lembrando-me que há pouco tempo os meus pares da Assembleia Municipal, por maioria, escolheram o meu colega de Torres do Mondego para representar as 31 freguesias de Coimbra no Conselho Municipal de Cultura, em detrimento do meu nome, enquanto presidente das freguesias da Sé Nova, Sta. Cruz, Almedina e S. Bartolomeu. Infelizmente na política como na vida, a lógica é muitas vezes colocada de parte em prol das dinâmicas de bastidores, na minha modesta opinião, foi este um caso gritante desse mal. Património da humanidade, casa de 2 dos mais relevantes teatros da cidade, do Museu Nacional Machado de Castro, da Ciência e tantos outros, berço de dezenas de associações culturais, do folclore ao canto coral, coração do Jazz ao Centro ou do Quebra Jazz, da Canção de Coimbra, do Salão Brasil ou da Casa das Artes, do Panteão Nacional, das Sé Velha e Nova, do nosso Café Santa Cruz e neste caso é mesmo nosso, por ser propriedade da União de Freguesias de Coimbra que é o peito onde se albergam as 4 freguesias urbanas do Concelho.
Falar da Cultura de Coimbra é falar de Antero de Quental, Eça de Queirós, João José Cochofel, Camilo Pessanha, Grão Vasco, Alberto Pinto Hébil, Mário Silva, Pedro Olayo, Pascoal Parente, João de Ruão, Nicolau de Chanterene e tantos outros que a memória agora não alcança mas a história não nos permite esquecer.
Mas é no exemplo de pessoas como o Dr. Mário Nunes ou da Dra. Teresa Portugal, ilustres Vereadores da Cultura que a minha referência, enquanto presidente da União de Freguesias de Coimbra repousa. Todos são importantes e é na diversidade que a cidade, de cultura, floresce.
Ao longo do mandato trabalhámos com a maior riqueza da freguesia, as suas gentes e instituições e se a todas e todos deve a autarquia o maior respeito e agradecimento, cabe-me o papel de vilão ao enumerar uma instituição e um homem em particular. Ao INATEL e ao Bruno Paixão, pela sua devoção à causa que é Coimbra e a sua riqueza cultural, sem nunca ter descurado o resto do território e domínios que tem que “gerir”, deixo a minha mais grata evocação. Soubemos trabalhar juntos, criar sinergias, sem nunca nos esquecermos para quem e com quem trabalhávamos.
Coimbra fervilha de ideias, tem um manancial de inteligência e saber que deve e pode ser orientado para o bem superior, só espera por quem volte a ter essa capacidade e visão, como no passado.
De Coimbra capital europeia da cultura 2027 pouco se sabe, mais uma vez as juntas de freguesia da cidade não foram ouvidas ou sequer questionadas, trilhamos sempre, esse mal fadado caminho de um só sentido, sem aproveitarmos os sinais que nos vão deixando à beira da estrada. Somos uma das poucas cidades do mundo com uma canção própria e sem uma casa, condigna, que a represente. Uma nova centralidade turística, com o fado ou canção de Coimbra (deixo o título para os eruditos na matéria), podia e devia ser pensada, uma lágrima em forma de casa que nos lembrasse que o homem pode ser muito mais que um sonho.
Que 2020 nos tenha ensinado que na vida nada está certo nem garantido e há sempre algo mais forte que a nossa crença em nós próprios. O Nós será sempre mais forte que o Eu.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.