Quem prometer que nunca mais vai haver cheias no Mondego está a mentir, diz ministro

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O ministro do Ambiente e da Ação Climática afirmou hoje em Montemor-o-Velho que se algum dia alguém prometer que “nunca mais vai haver cheias no Mondego não está a falar verdade”.

João Pedro Matos Fernandes falava aos jornalistas após uma visita às obras do plano de intervenção “Mondego Mais Seguro”, em Montemor-o-Velho, que incluiu ainda uma apresentação de diferentes projetos previstos para a região, quando se assinala um ano das cheias que afetaram o Baixo Mondego.

“Quem algum dia vier aqui dizer que nunca mais vai haver cheias no Mondego não está a falar verdade”, asseverou o ministro, considerando que a intervenção prevista, com um investimento global de 30 milhões de euros até 2023, permitirá gerir melhor o rio Mondego e os seus afluentes.

Segundo o ministro, o projeto permite ter um rio “mais seguro”, mas frisou que ninguém se pode iludir de que não voltará a haver cheias.

No primeiro ano de intervenção do plano, já foram investidos três milhões de euros, obras orçadas em 1,5 milhões estão em fase de concurso e 1,3 milhões em fase de lançamento de concurso.

Para lá do plano de 30 milhões de euros, há ainda o investimento no rio Arunca, com uma verba de seis milhões de euros, cuja intervenção estará próxima de ser adjudicada, salientou o ministro.

“Houve dois rombos [nas cheias de 2019]. Um dos rombos está completamente reparado e o outro também está completamente reparado, mas como vai ser feito um fusível nesse sítio, não lhe foi dado o acabamento”, notou João Pedro Matos Fernandes, realçando que também já foi lançado o concurso para duas comportas para garantir uma maior capacidade de escoamento da bacia central em caso de cheias.

Durante a apresentação do plano, o presidente da Câmara de Montemor-o-Velho, Emílio Torrão, elogiou a intervenção do Governo no Baixo Mondego, especialmente a construção de válvulas de maré (comportas) que permitirá um escoamento da água da bacia central, que normalmente ameaça a vila, em caso de cheia.

No decorrer da sua intervenção, Emílio Torrão defendeu ainda que as estradas que estão no domínio da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) devem ser transferidas para os municípios, com um envelope financeiro associado.

“A APA não tem condições para manter essa rede viária”, apontou o autarca.

Em dezembro de 2019, na sequência dos efeitos do mau tempo que se fazia sentir dois diques colapsaram, provocando cheias no Baixo Mondego.

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