Opinião – Uma sociedade evoluída não confina os seus idosos…

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Portugal é um país onde 21,3% da população tem mais de 65 anos, temos um racio de 153 idosos para cada 100 jovens, apenas superados pela Italia e pela Alemanha.
A Pandemia COVID 19 veio destruir a qualidade de vida dos Portugueses com mais de 65 anos. Em muitos casos a solidão tornou-se tão dura que descambou para situações de depressão e de desanimo.
Trouxe à tona da água a enorme fragilidade em que vivem todos aqueles que estão enquadrados nestes escalões etários, e revelou a Medicina fez um trabalho notável ao permitir o envelhecimento das populações mas as Ciencias Políticas, Sociais e Humanas têm feito muito pouco na preparação das Sociedades para o apoio aos seus idosos.
Estima-se que 66% das pessoas com 70 anos ou mais tenham pelo menos uma condição de saúde subjacente, colocando-as em maior risco em qualquer doença infecciosa e particularmente no caso da infecção pelo Coronavirus.
Mas não foi apenas a infecção do COVID 19 que aumentou a mortalidade na terceira idade em Portugal em tempos de Pandemia. O condicionamento do acesso dos mais idosos aos cuidados de saúde, quer pelos constrangimentos existentes nas unidades de saúde, quer pelos “medo” instalado numa população assumidamente mais frágil, associado à alteração de alguns hábitos de vida saudáveis (como caminhadas e actividades conjuntas entre amigos), e alteração de hábitos alimentares (por condicionamento de acesso aos supermercados, restaurantes, etc), fez descompensar doenças crónicas como a Diabetes, a Hipertensão Arterial e outras, contribuindo para o aumento de mortalidade que se verificou nestes escalões etários em pleno periodo pandémico.
Ficará sempre por quantificar o real impacto da Pandemia na Saúde Mental dos indivíduos com mais de 65 anos, mas a palavra “devastador” pecará sempre por defeito. Sofreram uma radical alteração dos seus hábitos diários, tão importantes nesta fase da vida. Deixaram de poder fazer as suas caminhadas em conjunto com amigos, deixaram de frequentar as aulas de grupo de pilates, de hidroginástica, cancelaram os lanches nas pastelarias ou os cafés a meio da manhã. A ida anual às termas não foi cumprida, já não vão buscar os netos à escola, e os almoços de Domingo em familia foram muitas vezes adiados…
Tudo isto porque, a única solução que nós, sociedade activa tivemos para lhes oferecerer foi o confinamento e a discriminação…, …. discriminação feita até por nós médicos, quando decidimos quem tem acesso a tratamentos e medicamentos… Revelámos de forma cruel aos nossos pais e avós, que perante a falta de recursos provavelmente não lhes seria facultado o ventilador, e mais recentemente que, afinal, a vacina, aquilo pelo qual tanto ansiavam, poderia, pelo menos numa primeira fase, não lhes estar acessivel… Confinámos os nossos idosos ao reduto mais miseravel do fim da linha…
A salvação de idosos à Covid-19 e a outras doenças infecciosas que possam vir a surgir no futuro pode estar em medicamentos que aumentam as suas defesas, em vez de pensar apenas ao ataque ao vírus.
Na última década foram feitos grandes desenvolvimentos para a criação de tratamentos que passam por rejuvenescer o sistema imunitário de idosos, aumentando a capacidade de resposta ao vírus caso sejam infetados, ou para gerarem maior resposta imunitária no caso de receberem a vacina à Covid-19.
Por outro lado, grandes centros de investigação mundial como a Clinica Mayo têm feitos estudos sobre medicamentos senolíticos que atuam sobre as células senescentes, células defeituosas que deixaram de se replicar mas não morrem, e que se acumulam à medida que a pessoa envelhece com particular incidência em órgãos afetados por doenças crónicas.
Não podemos por isso continuar a “confinar socialmente” a nossa população mais idosa, nem na COVID, nem em outras doenças, porque o resultado dessa forma de ver a sociedade é a morte daqueles que nos deram a vida.
A Pandemia da Covid19 foi sem dúvida a pior coisa que aconteceu aos idosos, expôs a dificuldade que temos no apoio a estas pessoas, e se no início a nossa preocupação foi salvar as suas vidas, impõe-se agora uma mudança repensando o envelhecimento.

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