Opinião: Eurovelo 1

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Concorda com a construção da ponte mista entre Lares e Alqueidão?

A passagem através de pista ciclável entre Lares e Alqueidão integrará o projeto transeuropeu Eurovelo 1, uma ciclovia atlântica, traçada em grande medida através dos contornos da costa atlântica de seis países: Portugal, Espanha (secção que foge ao traçado atlântico), França, Irlanda, Reino Unido e Noruega.

Na página www.eurovelo.com/ev1/portugal podemos consultar o traçado da Eurovelo 1 ao longo da costa portuguesa, do Cabo de São Vicente a Caminha. Primeira estranheza que salta à vista, é precisamente junto à Figueira da Foz que a Eurovelo mais se afasta da costa, na secção entre Pedrogão e Lares, perdendo a função de aproximação dos ciclistas ao Atlântico.

Será que é assim tão difícil estabelecer uma ligação mais próxima da costa entre a margem sul e a margem norte, compatível com a mobilidade ligeira que representa a bicicleta?

Há alguns anos, o arquiteto Miguel Figueira elaborou um projeto de atravessamento do rio na zona em questão, através de uma ponte modular para mobilidade ligeira (bicicletas e peões), permitindo o atravessamento de ambulâncias e veículos ligeiros prioritários e que se enquadrava no espírito da Eurovelo, sendo bem mais barata.

Tendo em conta a possibilidade de cofinanciamento europeu de projetos que envolvem soluções amigas do ambiente, que se enquadram no programa Green Deal da UE, será que esta solução mista de atravessamento do rio (ciclovia e circulação automóvel) não poderá comprometer esses mesmos veículos de financiamento, especialmente os da chamada “bazooka” muito ligados a questões ambientais?

Houve discussão ou trabalho técnico maturado que tenha em conta a construção de acessos para o trânsito automóvel no campo, em terrenos potencialmente inundáveis e que precisam de drenagem constante? Foram feitos cálculos para estes custos adicionais para além dos custos da própria ponte?

Quantos milhões se irão adicionar aos estimados 3 milhões de euros? Eleitoralmente, esta obra até poderá ter o seu efeito nas freguesias visadas, mas não escaparemos às potenciais consequências negativas resultantes de opções técnicas insuficientemente fundamentadas.

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