Opinião: Reflexões e preocupações sobre o vírus SARS-CoV 2

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A síndrome respiratória aguda grave associado a infeção por um vírus designado por SARS-CoV-2 (Severe acute respiratory syndrome coronavirus 2 ) foi identificada em Dezembro de 2019 na cidade de Wuhan, província de Hubei, na república popular da China.
Os primeiros casos descritos foram quadros de pneumonia, rapidamente progressiva para a insuficiência respiratória grave necessitando de suporte ventilatório num número significativo de casos.
Após alguma confusão inicial relativamente à nomenclatura do vírus a organização mundial de saúde propôs que a designação COVID-19 ficasse reservada para as formas de doença (entende-se por doença as manifestações clínicas associadas à infeção por SARS-CoV 2 ).
O número crescente de casos e a sua disseminação para além do local original da sua identificação levou a organização mundial de saúde a anunciar ao mundo uma nova pandemia, em março de 2020.

A Disseminação
A disseminação da infeção faz-se através do contacto com gotículas de secreções respiratórias de tamanho variável que são formadas durante o ato de tossir ou de espirrar mas também durante outras atividades habitualmente consideradas mais inócuas em termos de transmissão de infeções como falar, gritar ou cantar. No primeiro caso há formação preferencial de gotículas de maior tamanho que podem atingir uma distância média de até dois metros enquanto no segundo caso parece haver formação predominante de gotículas de menor tamanho que estão menos sujeitas ao efeito da gravidade, podem permanecer mais tempo no ar em suspensão sob a forma de aerossol e desse modo podem atingir e infetar outros indivíduos a uma distância maior do que dois metros.
Este modo de transmissão permite que a disseminação possa ser efetuada através do contacto da mucosa da boca, do nariz ou dos olhos com secreções respiratórias (por vezes visíveis) contaminadas presentes nas mãos ou em outras superfícies.
A disseminação da infeção através das gotículas de menor tamanho que se encontram em suspensão no ar sob a forma de aerossóis transmitem-se e infetam outros indivíduos através da via respiratória, ou seja, um indivíduo é infetado durante o ato normal de respirar.
Este último aspeto explica porque alguns indivíduos podem ser infetados sem terem estado em contacto direto com alguém infetado.
Define-se como contacto de risco, o contacto direto, frente a frente, sem proteção (máscara) com um indivíduo infetado durante mais de 15 minutos.

Prevenção (medidas gerais)
A prevenção faz-se através da utilização de medidas de etiqueta respiratória como é o ato de evitar a disseminação das secreções respiratórias com a ajuda do braço (ou outra barreira física) enquanto se tosse ou espirra, e deste modo se evita a conspurcação de superfícies ou de objetos que podem ser secundariamente fonte de novas contaminações.
Faz-se através de medidas como o distanciamento físico aconselhado, superior a dois metros que é importante para a proteção da contaminação pelas gotículas de maior tamanho que atingem distâncias menores do que esta.
A utilização de máscara ou outro equipamento de proteção facial é especialmente útil em situações em que não for possível manter um distanciamento mínimo entre pessoas de pelo menos dois metros.
A máscara tem a vantagem de diminuir o risco de infeção de quem a utiliza mas também há a possibilidade de atuando como uma barreira, diminuir a probabilidade de transmissão para outros indivíduos.
Adicionalmente, é aconselhada a lavagem frequente das mãos que é obrigatória quando estão visivelmente contaminadas com secreções ou se as mãos estão limpas podemos higienizá-las com uma solução de base alcoólica. Deve utilizar-se uma solução de álcool a 70% de preferência e não de 90%, porque a primeira é a que garante um contacto de tempo suficiente para inativar os microorganismos, enquanto as soluções a 90% evaporam-se mais rapidamente e não permitem deste modo um contacto de tempo suficiente para a sua inativação.
Outras medidas são aconselhadas como o isolamento dos infetados, a quarentena (isolamento profilático) dos indivíduos expostos e as restrições à mobilidade e à formação de ajuntamentos.

Como podemos combater a pandemia
associada ao SARS-COV 2
Podemos utilizar fármacos com ação direta contra a infeção vírica. Alguns medicamentos com eficácia antivírica como o Remdesivir, que também tem sido utilizado em Portugal mostraram a sua eficácia quando utilizado nas formas moderadas a graves da doença, sendo estas as suas indicações atuais em meio hospitalar.
Também um anti-inflamatório, a dexameatsona, existente há vários anos e que não tem qualquer efeito antivírico mostrou estar associado a um efeito benéfico quando utilizado nas formas moderadas a graves de COVID-19. O que significa que a gravidade da doença associada à infeção por SARS-CoV 2 não resulta apenas da ação direta do vírus mas resulta também do vigor da resposta do sistema imunológico (de defesa) do indivíduos infetado (são mecanismos já conhecidos relativamente a outras infeções).
Podemos também combater a pandemia através de medidas de prevenção da infeção ou seja através da imunoprofilaxia.
Dentro da prevenção ou imunoprofilaxia temos as vacinas que são a forma ativa de induzir a formação de defesas (humoral e/ou celular) contra o vírus (profilaxia ativa) ou através da injeção de compostos ricos em anticorpos contra o vírus obtidos a partir da seleção dos soros ou plasma de indivíduos previamente infetados e que desenvolveram uma resposta imune normal (profilaxia passiva).
Em relação às vacinas há vários protótipos em desenvolvimento, contudo ainda nenhuma está disponível em larga escala para utilização humana e a comunidade científica tem dúvidas em relação à eficácia de algumas já anunciadas. Não se sabe exatamente qual a sua eficácia, ou seja, qual o seu efeito protetor ou a sua capacidade de prevenir o desenvolvimento de infeção/doença num indivíduo vacinado que teve uma exposição de risco para o novo coronavírus. Também não se sabe se a sua eficácia se manterá nos indivíduos vacinados contra uma estirpe de vírus se estão também protegidos contra estirpes mutantes do vírus.
Outra possibilidade é que a pandemia se extinga antes do início da utilização da disponibilidade de uma vacina.

Outros virus respiratórios (sazonais)
Todos os anos com o aparecimento do outono, com o início do tempo frio e de forma cíclica, aparecem os vírus respiratórios (do costume) que causam a gripe são responsáveis pelo afluxo adicional a consultas, aos serviços de urgência e que durante vários meses causam uma sobrecarga previsível do sistema nacional de saúde.
As manifestações de gripe poderem ser provocadas por diferentes vírus que circulam durante o tempo mais frio.
Os vírus com maior impacto nesta fase são os vírus da influenza, que podem ser prevenidos através da vacinação que habitualmente está disponível a partir dos meses de setembro/outubro.

Medidas de prevenção aconselhadas
As medidas anteriormente enumeradas para a prevenção da infeção COVID-19 são também válidas para a prevenção dos outros vírus respiratórios que têm carácter sazonal.

Vacinação para a gripe sazonal 2020/2021
A vacinação contra a gripe é FORTEMENTE RECOMENDADA para os seguintes grupos prioritários:
– Pessoas com idade igual ou superior a 65 anos;
– Doentes crónicos e imunodeprimidos, com 6 ou mais meses de idade;
– Grávidas;
– Profissionais de saúde e outros prestadores de cuidados;
– Pessoas incluídas nos contextos definidos no Quadro III – Anexo (ver documento da DGS, no final).
Recomenda-se também a vacinação das pessoas com idade entre os 60 e os 64 anos.
A vacina deve ser administrada durante o outono/inverno, de preferência até ao fim do ano civil.

Vacinação gratuíta
A vacina contra a gripe é gratuita, no Serviço Nacional de Saúde, para os grupos descritos em detalhe no Quadro III – Anexo (ver documento da DGS, no final):
1. Pessoas com idade igual ou superior a 65 anos;
2. Grávidas;
3. Pessoas com mais de 6 meses de idade:
– Residentes em instituições, incluindo ERPI (estruturas residenciais para pessoas idosas), utentes de Serviço de Apoio Domiciliário e Doentes da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, reclusos em estabelecimentos prisionais.
– Com determinadas patologias crónicas e condições.
4. Saúde ocupacional
– Profissionais dos contextos descritos no ponto 4. do Quadro

Referências:
Norma nº016/2020 de 25/09/2020; Disponível em: https://www.dgs.pt/normas-orientacoes-e-informacoes/normas-e-circulares-normativas/norma-n-0162020-de-25092020-pdf.aspx

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