Opinião: Oportunidades

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Que propõe para uma integração eficaz da comunidade cigana do concelho?

O povo Cigano/Roma é um dos grupos étnicos mais antigos da sociedade portuguesa: chegaram a Portugal, por volta do século XVI e, por aqui, criaram raízes. Ao longo dos cinco séculos de permanência em Portugal, sempre foram alvo de políticas discriminatórias que os deixaram regularmente à parte da sociedade e do desenvolvimento que o país conheceu nos últimos séculos.

Na verdade, as comunidades ciganas foram esquecidas pelo Estado até ao 25 de Abril. Esta ferida aberta, por séculos de discriminação, ainda aflora na sociedade portuguesa, criando mecanismos de defesa tanto do lado da minoria como do lado da maioria.

Na Figueira da Foz, acredito que devemos ser vistos como um exemplo: a autarquia tem desenvolvido um trabalho de exceção para promover a integração das comunidades ciganas, procurando dar ferramentas e oportunidades a quem muitas vezes é privado delas por razões estritamente raciais. Grande parte deste trabalho positivo tem sido produto das associações ciganas do concelho que se têm esforçado para encontrar soluções.

Nas muitas conversas que tive com o meu colega de Assembleia de Freguesia Bruno Gonçalves – que também é um dos maiores ativistas roma do país -, do muito que me ensinou, aquela que eu considero ser a maior barreira à integração plena das comunidades ciganas na sociedade portuguesa é a dificuldade de acesso ao mercado de trabalho.

Os que conseguem trabalhar por conta de outrem, muitas vezes fazem-no na clandestinidade étnica, o que numa sociedade de direito não pode ser aceite.

Por isso, acredito que a solução passa por dois eixos, em primeiro, promover que haja mais alunos ciganos figueirenses no ensino superior e depois criar condições para que possam ocupar um posto de trabalho na Figueira da Foz.

Através de parcerias com a ACIFF ou até mesmo com o centro de emprego poderíamos criar um ambiente de oportunidades a quem raramente as tem. Só através de uma cidadania plena, podemos criar uma sociedade de plena igualdade para todos e isso, neste caso, deve passar pelo mercado de Trabalho.

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