Opinião: Honestidade e competência

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A administração portuária deveria ter elementos figueirenses?

Sempre defendo políticas de proximidade e por princípio o bairrismo costuma funcionar. Falo do saudável, civilizado e aberto, não de formas tacanhas de bairrismo bacoco, obviamente. A questão colocada poderia assim levar logo à resposta afirmativa: sim, seria bom que na direcção do Porto da Figueira da Foz, estivessem pessoas mais umbilicalmente ligadas à cidade ou ao concelho.
Mas, vejamos: não foi com o falecido Engenheiro Duarte Silva, figueirense e desde muito cedo ligado às questões do mar, que “perdemos” a independência portuária, passando a estrutura a depender directamente do Porto de Aveiro? Com todo o respeito à memória do senhor em causa, mas a história não pode ser escamoteada.
Quero acreditar que quanto mais perto estiverem as matérias do coração, mais “carinhosamente” serão tratadas. Com maior empenho e atenção, portanto. Mas tão ou mais importante do que a proximidade física, estão as questões de competência e honestidade. O mesmo carinho, o mesmo empenho, a mesma atenção, acontecerão sempre que à frente de estruturas ou organismos estejam as pessoas certas. Isentas, competentes, profissionais sem mancha.
O que seria a cereja no cimo do bolo, a solução ultra perfeita? Dirigentes altamente qualificados, completamente informados sobre a história deste porto e sua antiga ligação à cidade, sobre as naturais ambições do concelho em relação a esta relevante infraestrutura, parte do seu passado, alicerce do seu futuro. Alguém local garantiria, em princípio, um expedito desempenho, dada a informação privilegiada. Mas não é condição sine qua non neste assunto.
Penso que ser figueirense ou aqui radicado, por si só, não deverão nunca ser critérios de preferência, pondo de lado os factores a que já atrás aludi. Aqui existirão por certo cidadãos e cidadãs portadores das competências necessárias para os cargos de administração do Porto da Figueira da Foz. Mas repito: a honestidade e a competência acima de tudo. O resto pode ser apenas “paisagem”.

Pode ler a opinião de Silvina Queiroz na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

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