Opinião: A Pandemia, a Solidão e a Cidade

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A solidão que muitos sentem é um sentimento penoso, angustiante, de tristeza e de rejeição pela sociedade, a que se associa uma baixa autoestima reforçada pela falta de suporte afetivo que, de algum modo, poderia combater este mal estar, que se pode tornar incapacitante.
A crescente urbanização da nossa sociedade, o aumento do número de pessoas que moram sozinhas e das famílias monoparentais, o recurso às novas tecnologias e as relações meramente virtuais, conduzem sem dúvida, a um incremento das queixas de solidão, em todos os níveis etários, mas sobretudo entre os adolescentes e os idosos.
Há assim uma premente necessidade de identificação social, de filiação com a comunidade onde se vive, de modo a se criarem sentimentos de pertença a uma causa comum. A solidariedade intergeracional deve ser incrementada, bem como diversas formas de convívio e atividades em que predomine a comunicação.
Para que tal aconteça, as soluções de urbanização das nossas cidades devem ser bem desenhadas, de modo a ser capazes de integrar diferentes pessoas e atividades, qualificar a habitação, tornar o tecido urbano atraente e coeso, reconvertendo o conceito de cidade num espaço sustentável, agradável, estrategicamente animado, dinâmico e funcional, capaz de combater a falta de vitalidade de algumas das suas áreas e habitantes.
A oferta de uma renovada qualidade urbana, deve criar uma cidade com cuidada densificação, que privilegie o verde urbano, a pedonização, as estratégias de proximidade, de acalmia dos fluxos de tráfego, tornando-a culta e amigável, agradavelmente saudável, estimulante e aberta à fruição pelos seus habitantes, ou seja, portanto, humanizada. Uma cidade construída à escala humana, de que os seus habitantes se orgulhem, que com ela criem laços de pertença, capazes de reduzir o sentimento de solidão, tão presente na atual sociedade.
Não nos esqueçamos que Portugal enfrenta atualmente uma realidade conhecida por todos, designadamente um aumento significativo dos idosos, no conjunto da população do país.
Situação que ganha um peso ainda mais preocupante nesta época de pandemia.
É fundamental que a urbanização integre este grupo etário, evitando o seu sentimento de solidão, criando soluções para a sua integração social de um modo solidário, perspetivando um envelhecimento associado ao conceito de bem-estar e de qualidade de vida, que seja capaz de evitar a sua marginalização e vivência isolada da restante sociedade.
A Pandemia afastou famílias e amigos. As relações humanas deixaram de ser afetivas. Por razões de saúde estamos a perder o sentido de aproximação.
Devemos todos tirar ensinamentos desta fase de Pandemia e pensar o futuro.
Seremos certamente mais humanistas e solidários.

Pode ler a opinião de António Monteiro na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

 

 

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