Morreu o Paulão, um dos últimos boémios da Academia de Coimbra

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Paulo Cunha Martins, mais conhecido como “Paulão“, morreu hoje, vítima de doença. Tinha 57 anos. O corpo estará já, em câmara ardente, na Igreja de Nossa Senhora de Lurdes (Montes Claros). As cerimónias fúnebres realizam-se às 11H30 de amanhã, dia 4 de Novembro, no Crematório Municipal de Taveiro.

Filho mais novo do antigo treinador de basquetebol da Académica, Alberto Martins, que ficou imortalizado como o “teórico”, Paulo Martins esteve ligado à Secção de Fado da Associação Académica de Coimbra.

Recentemente, com Manuel Portugal, havia fundado a casa “Fado Hilário”, na Sé Velha. A sua ligação ao mundo dos espetáculos e da produção de eventos vinha de há muito, desde que, ainda na década de 1980, foi gerente do Clube de Rugby, em Coimbra. Na última década, esteve ligado à empresa Trovas Soltas, Produção de Espectáculos.

Muito conhecido no universo académico, pela sua vida de boémio sempre com sentido crítico e espírito irreverente, Paulo Cunha Martins integrou dois grupos emblemáticos da Secção de Fado da AAC: a Orxestra Pitagórica e a Estudantina Académica.

Enquanto estudante, da FCTUC, foi membro da Direção-Geral da AAC, tendo mesmo sido candidato a presidente, pela lista C.

A sua ligação à Associação Académica não foi esquecida pela atual Direção-Geral, liderada por Daniel Azenha. Na sua página do Facebook, a AAC fez, de resto, uma singela mas sentida homenagem a Paulo Cunha Martins, lembrando o seu percurso associativo. Considerando que o “seu amor à Académica era incomensurável!”, a publicação acentua que o seu passamento acontece “num dia tão importante para a AAC, no dia da celebração do seu 133º aniversário!”, e remata com um “F-R-A! Até sempre, Paulão!”.

Politicamente, sempre assumiu a sua ligação ao PS. Também a Comissão Política Concelhi ade Coimbra dos socialistas, liderada por Carlos Cidade, fez publicar uma emotiva evocação, que aqui se reproduz:

“A tua voz sempre se ouviu no meio das salas, às vezes ouvíamos-te ao longe. Era como se a liberdade de expressão se incorporasse em ti. Ouvíamos-te no fado. Era como se tivesses de te conter para não cantares mais alto do que a tua Estudantina. Ouvíamos-te na indignação sempre que querias apontar o que estava mal, ser do contra ou a favor, lá vinhas tu. Ouvíamos te na camaradagem nas ruas da baixa, da alta, nos bairros…ouvíamos te por Coimbra, porque ela sempre foi tua e o teu coração sempre foi de todos nós. Hoje, na hora do silêncio, ficaremos a lembrar a tua voz e exemplo de eterno insatisfeito apaixonado, com a certeza de que nunca deixaremos de te ouvir”.

 

 

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