Opinião: Tempo estranho!

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A alguns meses de eleições presidenciais sem história e a um ano de autárquicas, o mundo enfrenta uma pandemia que põe os mais idosos em risco e a economia à beira de um ataque de nervos. Cá em Portugal, os partidos políticos que “inventaram” um modo de ir para o Governo em 2015, jogam as suas pequenas cartadas , supostamente para ganharem importância e mais uns pretensos votos, provocando ansiedade em cima da instabilidade que os portugueses vivem. Parece que o bom senso também ficou ligado a um ventilador. Vivemos o pavor de, mais uma vez, o SNS não aguentar a pressão do número de doentes internados, mas temos uma Ministra da Saúde que a julgar por algumas afirmações, recorrerá aos hospitais privados “se for mesmo necessário” , evitando qualquer planeamento de ações, não vão confundi-la com alguma perigosa liberal. Vivemos sobre a tortura do COVID com o sensacionalismo dos números diários, ignorando todos os outros números de pessoas que não são atendidas nos seus Centros de Saúde, que não são operadas mesmo que tenham doenças graves ou que simplesmente não têm consultas de uma especialidade. Entre a boçalidade dos Presidentes dos EUA ou do Brasil e a falta de bom senso dos sistemas de saúde em vários países do mundo, deveria estar a solução de muitos dos nossos problemas quotidianos, não esquecendo o cuidado e a prevenção que cada um de nós deveria ter no seu dia-a-dia, sem distrações, nem interrupções.
Enquanto isto, escreve-se muito sobre o “novo normal” , seja lá o que isso for, sobre as bem aventuranças do teletrabalho e sobre a educação dos nossos filhos que , no final, olham com estupefacção para todas as restrições que a sociedade lhes impõe. A eles e aos nossos pais e avós, obrigados a isolamentos esforçados , longe da família e olhando para o último trecho da vida, de forma desesperada.
Discute-se muito os territórios do interior e as suas oportunidades, desde logo, porque muito mais gente resolveu conhecer as nossas vilas e aldeias situadas a mais de 60 km da linha do mar e das áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto, usufruindo mais da natureza, do património histórico e da quietude desses lugares. Vivemos um tempo estranho. Um tempo de nenhuma liberdade, com muitas regras e onde o humanismo fica atrás do biombo de um vírus desconhecido e que apanhou a Humanidade a meio caminho. Ninguém estava preparado para isto, apesar de todos os estudos científicos e premonições sobre uma possível pandemia que , todos acreditavam, não passaria da criatividade de um qualquer realizador cinematográfico. Tudo isto começou há pouco mais de 8 meses, o que é pouco tempo para haver vacinas, mas muito tempo para incorrer em erros repetidos onde o humanismo continua a ficar para trás. Em muitos lugares, mas principalmente em muitos dos nossos lares de idosos e em muitos hospitais. Vale a pena refletir se não estamos a criar muitos mais problemas, por falta de senso na resolução do problema principal.

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