Somos Coimbra lamenta saída de 11 elementos por causa de discussão estratégica

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A Comissão Política do movimento Somos Coimbra (SC) lamentou hoje a saída de 11 elementos da estrutura, mas salienta que essa opção foi tomada após uma discussão estratégica “aberta e democrática” que não afeta a coesão interna.

“Defendem os elementos que saíram que temos de concorrer obrigatoriamente sozinhos às próximas eleições autárquicas”, começa por explicar o movimento, em comunicado, referindo que essa posição é “oposta àquela que sempre foi a estratégia aprovada nos órgãos próprios e debatida publicamente nos eventos do movimento”.

Segundo o SC, a primeira decisão formal do movimento no sentido de procurar pontes com outras forças políticas “foi tomada consensualmente em reunião da Comissão Política de novembro de 2019”.

“Foi precisamente esta posição que foi consolidada ao longo dos meses seguintes e que, afinal, foi novamente expressa na moção aprovada nas eleições internas de julho passado, que elegeu o coordenador e a nova Comissão Política, reiterando uma estratégia clara para o movimento, com 97,4% de votos favoráveis e sem nenhum voto contra”, refere o comunicado.

Nessa moção, acrescenta a nota, consta que “o movimento estará sempre disponível para procurar consensos alargados com outros movimentos ou partidos políticos, sem aceitar projetos que representem uma secundarização ao partidarismo que impera em Portugal e recusando quaisquer ligações a grupos extremistas”.

De acordo com a Comissão Política, vários dos demissionários “participaram ativamente nos contactos que entretanto foram estabelecidos e nas reuniões com outras forças políticas, sempre relatadas e debatidas na Comissão Política, dentro da linha estratégica aprovada”.

“Inopinadamente, alguns elementos propuseram uma inflexão súbita e absoluta da estratégia do movimento”, refere a direção, adiantando que foi convocada uma reunião extraordinária para segunda-feira, na qual foram reafirmados “os princípios aprovados na moção estratégica referendada, tendo vários dos que agora saíram feito uma declaração final afirmando que respeitavam o resultado democrático da votação”.

O SC esclarece ainda “que não estava na mesa, nem nunca esteve, qualquer integração de membros do movimento em listas de qualquer partido”.

“O que temos procurado é a construção de uma plataforma alargada de várias forças políticas para devolver a esperança aos munícipes através de uma candidatura abrangente e vencedora das próximas eleições autárquicas, pois Coimbra não aguenta mais a incompetência de quem a trouxe até ao declínio em que se encontra”, lê-se no comunicado.

Caso essa plataforma não seja possível, o movimento garante que vai concorrer sozinho às próximas eleições autárquicas, “circunstância para a qual se tem vindo a preparar intensamente”.

“O exercício cívico autárquico dos passados três anos é a demonstração inequívoca da invendável independência do movimento SC”, sublinha.

Onze elementos da Comissão Política do SC, entre eles os quatro fundadores, anunciaram quarta-feira a saída do movimento independente em rutura com o coordenador José Manuel Silva, vereador do município.

Em declarações à agência Lusa, Filomena Girão, líder da bancada do movimento na Assembleia Municipal, explicou que na Comissão Política, constituída por 22 elementos, confrontaram-se duas visões: uma que defende a integração de elementos do movimento “como independentes numa lista de partidos” e outra que advoga a manutenção do movimento “como independente e extrapartidário”.

As propostas revelaram “uma completa divisão”, com 11 votos para cada uma, tendo o coordenador José Manuel Silva, antigo bastonário da Ordem dos Médicos, exercido o voto de qualidade a favor da integração de elementos do movimento em listas de partidos políticos, segundo Filomena Girão.

Dos 11 elementos demissionários, “que se mantêm fiéis aos ideais que estiveram na génese do movimento e que continuam a acreditar que eles ainda são válidos”, encontram-se os quatro fundadores: Carlos Faro, Carlos Fiolhais, Fernando Seabra Santos e Gonçalo Quadros.

O SC, que nas autárquicas de 2017 elegeu dois vereadores para a Câmara de Coimbra, nasceu naquele ano como “um movimento de cidadãos independentes, fora do espectro partidário, com o objetivo de dar um futuro de desenvolvimento e modernidade ao concelho de Coimbra”.

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