Opinião: Tiros nos pés

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Deve ser feita uma auditoria independente ao dossiê Paço de Maiorca?

Mais auditorias? Claro, venham elas! Venham apurar os responsáveis pelos contratos ruinosos que deram origem a que agora o município tenha de pagar 5,1 milhões ao BPI com o dinheiro de todos nós! Sim, refiro-me à indecente Parceria Público Privada, a famosa PPP, entre a FGT, empresa municipal, e a Quinta das Lágrimas SA (que detinha a maioria da sociedade). Sublinho que este acordo leonino foi evoluindo desde 2005, culminando na última versão assinada em dezembro de 2008.
Nesta a Quinta das Lágrimas SA assumia a responsabilidade integral pela conceção, projeto e execução dos trabalhos de reabilitação do Paço e da sua adaptação para unidade hoteleira, pagando o município a obra e o défice de exploração futura, sempre que se verificasse prejuízo…. 24 dias antes das eleições autárquicas de 2009, é assinado o contrato de empreitada e são iniciadas as obras cujo acompanhamento era da responsabilidade da Quinta das Lágrimas SA.
É agora o mesmo PSD, que montou toda esta trapalhada, a exigir uma auditoria? Infelizmente, o principal protagonista desta história, e que segurou a pena durante os ditos contratos, já não se encontra entre nós, mas certamente existirão outros que o acompanharam. Lembro-me por exemplo de um que foi Presidente do Conselho de Administração da Sociedade Hoteleira Paço de Maiorca SA e que depois passou a exercer funções no BPI, precisamente o banco credor dessa mesma sociedade…
Esta situação caricata parece um pedido semelhante ao que um vereador desse mesmo partido fez na última reunião de câmara, solicitando que lhe fossem fornecidos os valores de endividamento do município em cada mandato desde 1997, data em que terminou o mandato de Aguiar de Carvalho (PS), até aos dias de hoje.
Não deveria saber que dos 9 milhões de euros existentes em 97, a dívida aumentou vertiginosamente para 92 milhões em 2009 ( 12 anos PSD), e baixou vertiginosamente nos 10 anos seguintes de gestão PS para os 32 milhões. É caricato que em 1997 também tenham pedido uma auditoria às contas do município, cuja conclusão indicava que seria melhor não aumentar o endividamento. Os 92 milhões mostram bem o que ligaram à dita auditoria… Tal como o diz o ditado, às vezes damos tiros nos pés.

Pode ler a opinião de Ana Carvalho na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

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