Opinião: Passado e futuro da serra

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A Serra da Boa Viagem devia ser tutelada pelo município?

A Serra da Boa Viagem deve ser olhada como ex-líbris do concelho, a joia que a natureza nos deixou e que o homem soube aproveitar, impondo a Serra como o início da mancha florestal que se estende até à ria de Aveiro, uma das mais extensas do nosso litoral.
A Serra que conhecemos é produto da visão e tenacidade de um homem, Manoel Alberto Reis, que na época enfrentou os poderes económicos e políticos que a empresa do Cabo do Mondego usufruía para tornar a serra uma mancha verde. A detentora da exploração do subsolo da Serra não facilitou a vida deste nobre homem que tinha uma visão singular daquilo que devia ser a Serra da Boa Viagem e as dunas norte dela.
Hoje, a Serra da Boa Viagem é sinónimo de vegetação, natureza, verde, ar puro e beleza. Um lugar que consegue congregar a proximidade ao centro urbano, com a tranquilidade de uma zona selvagem, dominada em grande parte pela natureza. Tal como no passado, este património deve ser gerido por quem conhece o terreno, por quem nutre a paixão de ver o Concelho da Figueira a progredir, numa visão estratégica que não pode descorar o verde e os benefícios que este traz ao bem-estar coletivo.
Por isso, acredito que a Serra da Boa Viagem deve ser tutelada pela câmara, obviamente com a devida delegação de competências e meios, dado que a dimensão do desafio é grande, sendo necessário criar infraestrutura para albergar o departamento que teria dedicação exclusiva ao assunto.
A recentes tempestades que se abateram na Serra, devem-nos fazer pensar naquilo que são os malefícios do centralismo e a dificuldade em mobilizar esforços com prontidão. O estado em que a serra esteve durante alguns meses, deve servir para aprender onde podemos melhorar o serviço público de florestas.
Concluo com uma frase de Manoel Alberto Rei que retrata na perfeição aquela que era a visão dele sobre o nosso melhor património natural, a Serra da Boa Viagem- “Todos se extasiam ao falar das belezas naturais que se admiram no estrangeiro, quando o nosso país possui algumas que, como estas, suplantam muitas tão apreciadas”.

Pode ler a notícia opinião de David Monteiro na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

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