Opinião: Mudam-se as comadres. Até quando?

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Os casamentos de conveniência, geralmente, dão asneira! Zangam-se as comadres, descobrem-se as verdades! Não terei presente que verdades se poderão descobrir depois de terminado o casamento de conveniência, porque, lá no íntimo, todos ganharam.
Aquando do casamento, ao qual eu não dei a minha bênção porque sabia que mais tarde ou mais cedo o desenlace se iria dar, eu manifestei o meu desacordo. Tudo em nome da política. Contra os arranjos de ocasião!
Tinha tudo para correr mal, e correu!
Ainda que António Costa, com a habilidade que se lhe reconhece, “transforme os duques em ases” e ainda consiga trocar de naipe trunfo! Espero para ver.
Não é um jogo de cartas, mas bem que poderia ser, tal a quantidade de vezes que os parceiros trocaram as cartas por baixo da mesa, fingindo os outros que não viam!
Se já ganhei por um – jogo da sueca – para que é que eu me vou chatear? Ora, tal como imaginava, e os meus amigos contestavam e me criticavam, PS e BE passaram a estar desavindos. Uns porque governam, e os outros porque nunca quiseram governar, mas influenciar decisões.
Eu até compreenderia que o BE tivesse votado contra o Orçamento Geral do Estado, mas por outras razões, que não o SNS. É que o SNS só tem de ser muito robusto porque trata o doente, mas não previne a doença.
Se o BE tivesse votado contra o documento, porque seria melhor investir em políticas públicas de apoio à saúde do cidadão, nomeadamente, na prática desportiva na escola – o que não existe mas deveria passar a existir – ou no apoio aos clubes e associações que se desgastam à procura de apoios – normalmente de “chapéu na mão”, qual pedintes, a esmolar um subsídio que as mais das vezes não chega para dar aos jovens um crescimento mais harmonioso – eu até compreenderia. Até compreenderia se defendesse o aumento de verbas para o apoio aos idosos. Mas não. Nada disto foi objecto de análise nem voto contra!
Só mais dinheiro para contratação de agentes da saúde, é argumento que não colhe! Mas entendo que chegou a altura da clarificação. E ainda bem. Porque isto de andar a trair durante o casamento, não é coisa bonita que se faça!
O PS está a viver um período complicado na sua governação. Penso eu que os restantes parceiros poderão “largar amarra” logo que a coisa fique mais complicada. A não ser que pensem que vão ter mais votos proximamente. Enganam-se. Diz-se que, o Povo não sabe o que quer, mas sabe de certeza o que não quer!
Esta é uma forma de pensamento demagógico, um chavão, que serve tanto à direita como à esquerda. Depende, tão só, de quem está na altura a governar!
O Orçamento Geral do Estado é em si um documento complexo. Muito complexo até, que deveria ser explicado de forma mais simples e absolutamente clara e transparente.
Não se dirige só aos Deputados, à comunicação social, empresários, às ordens profissionais, aos sindicatos e a mais tantos outros, mas sobretudo ao comum do cidadão que aqui habita e aqui paga os impostos.
É que, “cidadão comum” são aos milhões. Muitos deles olham para a discussão do OGE como um “boi para um palácio”! Claro que mudam de canal, porque é muito mais divertido e menos traumatizante ouvir um qualquer canal da má língua, do que uma “lenga-lenga” que se repete anos após ano, sem que sintam benefícios palpáveis e quantificáveis!
Nem percebo como existe uma classe de repetentes e resistentes Deputados que conseguem estar anos e anos no Parlamento a falar da mesma coisa. Ou de nada. Deve ser divertido, lá isso deve! O casamento durou 5 anos. Vamos ver se se consuma o divórcio, ou vai haver um flick flack do BE e tudo fica como dantes! Isto, se António Costa estiver bem disposto, ou se perceber que daí poderá tirar alguma mais valia.
A mim parece-me que não, dado o entusiasmo do PAN, do PCP, do PEV e da independente na viabilização do documento.
Mudam-se as comadres. Vamos ver até quando!

Pode ler a opinião de Luís Santarino na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

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