Opinião – Eficaz

Posted by

A Serra da Boa Viagem devia ser tutelada pelo município?

Manuel Alberto Rei foi responsável pela arborização, entre 1911 e 1924, dos 400 hectares do Prazo de Santa Marinha, também denominado “Serra da Boa Viagem”, outrora pertencente aos frades Crúzios de Coimbra, que mais tarde o venderam ao Estado por 160$000 reis. Passando, em 1914, a ser a Mata Nacional do Prazo de Santa Marinha, é atualmente gerida pelo ICNF.
A serra está parcialmente inserida no Monumento Natural do Cabo Mondego, cuja importância geológica é reconhecida mundialmente, devido aos seus afloramentos jurássicos expostos de forma contínua com vestígios da vida na terra ao longo de 50 milhões de anos. Esta mata é ainda rica em vestígios arqueológicos, conjuntos compostos por monumentos megalíticos, antas e mamoas, e rica em vestígios de arqueologia industrial, possuindo inúmeros respiradouros e entradas das antigas Minas de Carvão, pois, desde o século XVIII, que praticamente todo o subsolo desta serra foi explorado para extração do carvão.
A mata, que também inclui equipamentos de recreio, como parques de merendas, percursos pedestres e de BTT e miradouros possui elevada riqueza paisagística possibilitando o usufruto de um património de excelência.
No entanto, as Matas Nacionais são exploradas pelo Estado com o objetivo de maximizar a produção de madeira e a sua riqueza silvícola e esta mata, infelizmente, não é exceção, pois não se tem em grande consideração todo o potencial turístico, cultural, desportivo e de lazer já mencionados.
Para agravar a situação, esta mata foi fustigada por dois grandes incêndios, em 1993 e em 2005, e, quando já se estava a recompor dos mesmos, foi devastada por dois eventos ciclónicos extremos, em 2013 e em 2018. Por outro lado, o ICNF, ao longo dos anos, com o desaparecimento dos guardas florestais, foi perdendo capacidade operacional para exercer de forma eficaz as atividades de gestão e manutenção, ficando a mata entregue a si mesma.
Pelo que, à semelhança de outras situações do território anteriormente geridas por entidades regionais, como é o caso das praias, cuja gestão passou agora da APA para o município, no âmbito da descentralização de competências, considero que seria muito mais eficaz que fosse o município a gerir e manter as matas nacionais no seu território.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.