Opinião – As pessoas e a rua. Vivificar a cidade

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Entre as edificações de uma cidade, existe uma rede de espaços públicos que, em conjunto, criam e fortalecem conexões sociais e económicas, que definem a identidade, a cultura, os laços comunitários e a vocação do lugar.
Para que tal aconteça é fundamental envolver os seus utilizadores no planeamento, revitalização e gestão dos espaços, permitindo que estes os considerem como seus, contribuindo para a criação e preservação da identidade social e cultural da sua população.
Existem outros espaços, de que são exemplo os cafés, livrarias ou outros estabelecimentos, os quais são capazes, de igual modo, de criar locais de interação e troca de ideias, estabelecendo laços afetivos entre os seus utilizadores e os espaços onde se localizam. Quanto mais diversificados, interessantes e facilitadores da convivência social forem os usos dos espaços de uma cidade, menos desigual, mais rica e democrática se torna a sociedade que a habita.
Numa cidade, a capacidade de diversificação dos usos, mesclando o residencial, com áreas de trabalho e ensino, usos comerciais, de lazer, de outros de âmbito cultural, é sem dúvida o grande fator de atração das pessoas, desde que o planeamento dos espaços públicos incentive a convivência e a sua permanência.
Fachadas ativas são uma forma de comunicação entre o nível térreo dos prédios, a calçada e a rua em frente, não descorando a atratividade do desenho urbano. As ruas mais interessantes visualmente, desenhadas tendo como preocupação, a dimensão social e a vitalidade das populações que as utilizam, serão certamente as mais procuradas pelas pessoas.
Ruas, praças, parques, calçadas, ciclovias, mobiliário urbano de qualidade, boas acessibilidades a pé ou de bicicleta, transportes públicos, parques de estacionamento (periféricos), sinalética, áreas verdes atrativas para a prática de atividades ao ar livre, estimulam a interação entre as pessoas e geram uma apropriação positiva do espaço, reforçam a sua vitalidade social e a sensação de bem estar dos seus habitantes, criam condições para a rentabilidade do comércio local e fortalecimento da economia da região, mantém a identidade do lugar e serão fatores de atratividade para outros utilizadores, nomeadamente os turistas, sempre que se esteja num local onde o património turístico o justifique.
No planeamento de uma cidade é necessário, não esquecer a necessidade de se criarem centralidades também nas periferias, garantindo o acesso da população aos mesmos padrões sociais de qualidade de vida.
A cidade de Coimbra tem vindo, nos últimos anos, a dar passos importantes na vivificação dos espaços públicos. Mais áreas verdes, mais esplanadas, mais eventos ao ar livre (culturais e desportivos). É importante continuar essa tarefa sem esquecer as conclusões que se poderão retirar das experiências implementadas durante este período de pandemia. Nestes últimos meses surgiram mais esplanadas por toda a cidade, que têm sido fundamentais para o usufruto pela população dos espaços públicos. Surgirá a necessidade de qualificar esses espaços, melhorando a sua funcionalidade e integração urbana, não esquecendo a sua qualificação estética e a melhoria do mobiliário urbano que lhe está associado.
Um dos espaços urbanos de maior vitalidade é o eixo da Praça da República até ao Mercado Municipal (que em breve irá ter uma praça gastronómica). Ao longo dos anos, vários estudos se fizeram sobre este importante eixo da cidade de Coimbra, mas o que mais relevo é sem dúvida, o excelente projeto do arquiteto paisagista Gonçalo Ribeiro Telles (anos 60?) que visava a melhoria e qualificação da Av. Sá da Bandeira. Talvez neste momento seja utópica a sua concretização, mas é com certeza inspirador para soluções a adotar.
O “sonho” da criação de um anel interno verde: Parque Verde, Parque Dr Manuel de Braga, Jardim Botânico, Jardim dos Patos, área exterior da Penitenciária, Parque de Santa Cruz e Av Sá da Bandeira, é algo que deveria ser estudado. Este eixo pode vir ser a base da vivificação da cidade de Coimbra, melhorando a qualidade de vida, as acessibilidades pedonais da cidade, e em particular, apontando uma ligação saudável entre o Centro da Cidade e a Baixa, ao Rio Mondego.

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