Opinião: Luer lock

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Uma seringa com luer lock atarraxa a agulha, ou o condutor, permitindo que não haja risco de saltar, ou espipar, ou de desconectar-se borrifando os presentes. Já uma seringa injekt luer não agarra nada, não prende definitivamente e sobretudo pode, se o líquido for viscoso, espipar. Assim temos ainda seringas de dois corpos e de três corpos. Uma estrutura com um êmbolo, uma campânula e uma borracha (rolha de retenção) na parte distal do êmbolo, é um “tricorpo” e desliza melhor, chupa que é uma beleza. Já um bicorpo não tem a tal borracha na ponta do êmbolo e por isso escorrega menos bem, chupa muito pior. O casamento principal das seringas é com as agulhas e também estas são uma ciência extraordinária. Há as protegidas (agulhas de segurança) e as capsuladas clássicas, onde se picaram já milhares de técnicos de saúde, sobretudo porque ousam “o mete e tira” e depois de tirar, sempre que vão meter, correm risco. E a que vem esta coisa de agulhas e de seringas? É só um exercício para os treinadores de bancada, os cientistas de facebook, os visionários de tudo, perceberem como devemos ser mais aveludados a opinar. Sobre cada assunto, até uma coisa tão banal como seringas, há uma infinidade de saberes, que vão da escolha do material, do tipo de encaixe, da razão da utilização, do produto a injectar, que transformam muitas opiniões em bitaite, muitas certezas em disparates. Por esta razão o comprador de materiais hospitalares deve estar escudado nos utilizadores, pois o funcionário que compra, vulgarmente não é o que consome. O armazém que se esquece do técnico é pressionado pelo economista que aborrece com gastos. Claro que os gastos são importantes, mas a utilização de material adequado, a compra correcta, poupa muito dinheiro.

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