“Unidade curricular de microbiologia diminuída para um semestre” na Faculdade de Medicina

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Rodrigo Cunha é docente em Coimbra, onde também é coordenador científico do Instituto Multidisciplinar do Envelhecimento

Como observa a estratégia e os recursos da comunidade científica no combate à pandemia?
A resposta tem duas vertentes: a minha perspetiva é que o Governo fez o melhor possível, tendo a coragem, logo no início, mesmo contra os primeiros pareceres da Direção Geral da Saúde – as pessoas esquecem-se – de ter assumido o fecho de muitas atividades no país. Outro problema é: porque estamos com tantas dificuldades em dar resposta eficiente à pandemia? A minha resposta é que houve desinvestimento a nível europeu e mundial, muito significativamente, na microbiologia… naquilo que é o conhecimento de processos básicos e fundamentais da forma como os vírus nos atingem. Isto implicou menos capacidade adaptativa face a um surto como este que nos aconteceu.
A quebra de investimento nesta área ao longo das duas últimas décadas é de 38 por cento. São números da Sociedade Europeia de Microbiologia e correspondem a um não aumento de investimento nesta área, não acompanhando outras áreas na Europa. Não foi dada a devida atenção a esta área.

Quem tem culpa de não haver resposta rápida e eficiente à pandemia?
Não é por inépcia da academia / comunidade científica, mas antes por esta academia ter sido completamente tolhida na sua capacidade de gerar o conhecimento necessário.
De que forma a comunidade científica e médica poderia estar mais preparada para a covid-19?
Estamos a falar em investigação, em aumentar o nível de conhecimento. Mesmo com todo o investimento, poderíamos estar tão mal como hoje, mas a probabilidade de dar uma resposta mais efetiva seria muito superior.

Passando dos vírus para as bactérias, tem alertado para o risco de se desenvolverem bactérias multirresistentes…
Já é um problema, mas fala-se muito pouco disso. Basta comparar o número de pessoas que morrem de pneumonia e de covid-19. São dois mundos completamente diferentes. Diria que é de um nível de grandeza de 100 pessoas que morrem por pneumonia por cada pessoa que morre por covid-19. É um problema muito mais sério a nível mundial. O meu grande medo são as bactérias multirresistentes em meio hospitalar, afetando as pessoas em situação de debilidade

Para isso existem os antibióticos?
A profilaxia com antibióticos é uma medida de segurança, mas ao fazermos isto, estamos a dar a oportunidade a todas as bactérias de conhecerem este antibiótico e desenvolverem mecanismos que permitam que se tornem tolerantes a esses antibióticos.

Entrevista completa na edição impressa de hoje

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