Opinião: Moral e Política

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Vivemos tempos em que a Moral não tem lugar na política e consequentemente nem nesta República nem antes na Monarquia, tal como o receava Trindade Coelho, logo fazendo a sua defesa, repúdio e discussão das manigâncias, em que o tinham metido aquando o enfiaram numa ficcionada candidatura por Mogadouro em 1901, lugar onde ainda não existiam republicanos. Começou por isso a dizer que “se por lá se fala também “república”, porque, enfim a palavra é portuguesa de lei, da mesma forma, todavia, que o vocábulo designava na “gíria” de Coimbra do meu tempo, e ainda hoje designa, a “comunidade doméstica, sem chefe, de dois ou mais estudantes” .
Assistimos recentemente a uma rábula contra a Festa do Avante feita por um líder partidário “ingénuo”, já que não cuidou de saber se a notícia em que assentava o seu raciocínio era verdadeira. Nem disso cuidou o canal televisivo que a foi divulgando, mostrando a falta de qualidade de alguma comunicação social, que se mostra desejosa de muita receita financeira e não se preocupa com a verdade. Não admira que prolifere alguma doença mental, que é natural dado o estado de confusão em que estes órgãos de comunicação lançam deliberadamente os cidadãos que os ouvem, veem e leem.
Não admira também que seja diminuto o número de jornais diários nacionais em Portugal. É o que muitos explicam restritamente pelo facto de os portugueses lerem pouco. De facto, dizem-no sem avaliar a qualidade do produto informativo oferecido que, muitas vezes, não é mais que um entretenimento em que ninguém acredita.
Pior ainda são só órgãos de manipulação de consciências para que, no final, os eleitores votem num candidato sem qualquer credibilidade, só com muita publicidade.
Acontece no final, tal como é habitual que muitos fiquem horrorizados com o resultado final e o pior acontece em países como o Brasil e os Estados Unidos da América, onde os candidatos obcecados com a vitória não olham a mentiras nem a habilidades eleitorais para conseguirem a almejadas vitórias. E estas em tempo de COVID 19 trazem na melhor das hipóteses só doença debilitante ou, demasiadas vezes, morte, que é provocada por esta ou por doenças não debeladas por terem deixado de ser preocupação face ao dramatismo associado à pandemia.
Perigosamente, agora que todos temem o desemprego, a falência e a fome, muitos estão predispostos a aceitar trabalhar sem condições. Acontece por o governo não atender com a necessária humanidade aos profissionais que, pertencendo aos grupos de risco, têm necessidade de assegurar o seu sustento.
É a economia COVID a obrigar muitos de nós a atos perigosos. Mas, se morrerem alguém lhes chamará estúpidos.

1 Trindade Coelho, José Francisco b) – A Minha Candidatura por Mogadouro (Costumes Políticos em Portugal), Typographia A. de Mendonça, 1ª ed. Lisboa,1901, p. vii

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