Opinião: De enxada na mão!

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Finalmente sabe-se que António Costa cidadão e Primeiro-Ministro já não faz parte da Comissão de Honra da candidatura de Luís Filipe Vieira.
O burburinho do apoio só se acentuou porque o País vive numa crise anunciada. Luís Filipe Vieira, ao que consta, tem problemas com a justiça e, não menos importante, a comunicação social nacional tem poucas notícias para dar e transmitir.
Não fora os disparates de Trump e Bolsonaro, consubstanciados em afirmações sem o rigor científico validado, do sucesso relativo na Suécia no combate ao COVID19, do início das aulas para mais de um milhão de jovens que não se deseja atribulado, da dificuldade de combater incêndios, do elevado número de pessoas infectadas por dia, e por fim, a eliminação do Benfica da Liga dos Campeões, pouco ou nada haveria a destacar.
Até a crise do turismo vai deixar de ser notícia… e moda! De todos estes factos, apenas para Portugal são importantes, o elevado número de infectados com o vírus, a eliminação do Benfica e os incêndios de Pedrógão Grande.
Apesar de ser eticamente irresponsável – pelo menos eu penso isso – o apoio de figuras importantes da política portuguesa a presidentes de clubes de futebol, da mesma forma, as jantaradas na Assembleia da República entre Presidentes de clubes de futebol e os Deputados não o será menos.
Quando se torna normal a realização de tais eventos, o cidadão comum passa a entender tudo, mas mesmo tudo, como “actos normais” de cidadania. E não é verdade. Ou melhor, não deveria ser verdade.!
Na verdade, o poder político está, como já esteve antes, a dar um mau sinal à sociedade portuguesa.
O poder político – leia-se Deputados – não está a cumprir com os ditames da sua função, que não se resume à sua presença obrigatória em nome dos cidadãos que o elegeram, mas sobretudo à análise serena da sociedade portuguesa.
É o aproveitamento do desporto, leia-se futebol, de condicionar o poder político, a que este acede em nome de cores clubísticas e da afirmação regional. E quando num País os políticos se deixam condicionar, estará mesmo a bater no fundo.
É um mau exemplo, são um mau exemplo! Mas também seria necessário ser apenas “um, e o exemplo”!
Corrijam-se processos, porque Portugal precisa de tal como de pão para a boca!
Continuam a dar argumentos aos que entendem que a Assembleia da República elege Deputados “a mais” para a dimensão do País. Daí, outra discussão existiria. Mas enfim. Fica para mais tarde!
Na verdade, um erro não se corrige com outro erro… ou mais erros!
Precisamos de uma nova dimensão ética. Urgentemente. Em que não existam dependências de espécie nenhuma. Que todos sejam livres, conscientemente livres, sem que os amarrem a discursos que não percebem, nas cidades, vilas, aldeias e lugares…por todo o lado!
Queiram ou não queiram, já não faltará muito tempo para existir uma nova forma de fazer política, porque uma coisa boa que este novo mundo nos trouxe foi a faculdade de ninguém saber nada sobre nada. Descobrir é lindo!
Andamos todos aos apalpões, tentando que o novo normal seja igual ao antigo. O que é manifestamente impossível. No discurso, no trabalho, na cidadania.
Enquanto tal não percebermos e não mudarmos os procedimentos, enquanto mantivermos o amanhã como se de ontem se tratasse, ficaremos ainda mais atrasados no contexto europeu e mundial.
E nem a capacidade e perseverança da Presidente da Comissão Europeia nos salvará!
Não quero nem desejo como noutros tempos, já o mundo vivia a revolução industrial e ainda nós por cá andávamos de enxada na mão!

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