Covid-19: Associação Académica contra a realização de “praxe tradicional” em Coimbra

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O presidente Associação Académica de Coimbra (AAC) afirmou hoje que é contra a realização da “praxe tradicional“, considerando que, em alternativa, podiam ser realizadas atividades para mostrar a cidade e a sua cultura.

“A praxe é o que fizermos dela. Temos atividades lúdicas, culturais e desportivas que podem ir ao encontro de uma receção ao estudante. Agora, se for a praxe tradicional, discordo na íntegra”, disse o presidente da AAC, Daniel Azenha, que falava à agência Lusa no final da assembleia magna de estudantes que decorreu hoje à tarde.

O dirigente estudantil recordou que a AAC não regula a praxe, referindo que terá uma reunião com o Conselho de Veteranos, responsável por esta tradição, na segunda-feira, onde irá manifestar a sua preocupação em relação às decisões daquele órgão.

“Se for uma praxe tradicional não faz grande sentido. Não podemos expor o estudante ao risco e ao perigo”, defendeu.

Na segunda-feira, o Conselho de Veteranos, ao contrário do que aconteceu noutras academias como a do Porto, confirmou a manutenção da praxe em Coimbra, que terá novas regras, como o uso de máscara, distanciamento e proibição de grupos com mais de dez alunos.

“Nós não fomos tidos na apreciação do documento que foi enviado. Fomos apenas informados”, disse à Lusa Daniel Azenha, mostrando-se preocupado que “haja abusos e excessos que não vão ao encontro das regras da Direção-Geral da Saúde”.

Para o presidente da AAC, não se pode “olhar para o lado e achar que a praxe não existe”, mas considera que, este ano, face à pandemia da covid-19, deveria “estar muito mais ligada a uma questão cultural e não à atividade praxística que existe”.

“Poderia haver aqui uma mudança na forma como existe a praxe, mas nós não regulamos a praxe, não temos a possibilidade de a proibir, mas apelamos ao bom senso”, acrescentou.

Daniel Azenha sublinhou ainda que a AAC será a primeira “a alertar para comportamentos indevidos e comunicá-los às autoridades, se tal for necessário”.

Hoje, estiveram quase 200 estudantes no Campo de Santa Cruz a participar na primeira assembleia magna após o começo da pandemia, onde foi obrigatório o uso de máscara e o distanciamento de dois metros entre os participantes.

Na assembleia magna foi aprovado o Orçamento para 2020, que já mostra o impacto da covid-19 nas contas da AAC.

“Este ano, tivemos perdas que rondam quase os 400 mil euros”, referiu Daniel Azenha.

De acordo com o responsável, as quebras relacionam-se com a não realização das festas dos estudantes e com cortes nos apoios e patrocínios por parte de entidades e empresas.

“A dívida externa tem vindo a reduzir. Conseguimos passar de 280 mil euros para 60 mil euros e o objetivo agora era estabilizar a casa, mas não conseguimos eliminar a dívida externa”, constatou.

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