Opinião – Um éden, aqui tão perto…

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Se viverem algures nesta bela região, venham conhecer um éden beirão. Mas, ao planearem a viagem, atendam à tabela das marés do porto da Figueira da Foz; depois, é rumar à praia de Quiaios e chegar a imprevisto hotel, de grande qualidade, à beira-mar plantado. Daí, olhem para sul, e verão a soberba Serra da Boa Viagem, para onde, e pela beira-mar, deverão começar a caminhar em areias douradas de fina textura, escutando o marulhar e mirando a serra.
Dependendo da passada e pausas de cada um, em menos de uma hora chegarão ao primeiro escolho a vencer, que nada custará, se a maré estiver a baixar. Entrarão então nas praias junto às Falésias do Cabo Mondego, e espraiarão o olhar por um mar cada vez mais calmo e verde, sob um fascinante céu azul que se funde com o cinzento dos rochedos, enquanto a serra tudo domina. Uma meia hora depois, e ultrapassados raros banhistas, pescadores, e até nudistas, terão de superar novo escolho, o que, por precaução, só deverão fazer, com a maré ainda a descer.
Será então que, numa paisagem enfeitiçada pelo bater do mar e quiçá pelo piar das gaivotas, verão suceder-se recantos de encantamento, que, uns após outros, e até onde a vossa audácia vos levar, parecem não ter fim. E longe de tudo, menos da natureza no seu eterno esplendor, a vista deleita-se, e as águas calmas convidam a nadar. E se ao mergulhar avistarem sereias que dizem haver por aí, o tempo parará! Mas juro que nunca vi alguma que tivesse cauda de baleia! E cuidado, que o encantamento é tanto, que o tempo voará, enquanto a maré começará a subir. Se tal acontecer, e a preia-mar vos surpreender, para regressarem, as falésias terão de escalar…
Depois, será hora de regressar. Lentamente, pois custará abandonar um pedaço do éden, afinal aqui tão perto. E, à medida que se forem afastando, muitas vezes olharão para trás, e jurarão ter visto sereias e tritões a mergulhar nas profundezas do oceano. E dirão, como eu e tantos outros dizem: “Voltarei aqui, não outra vez, mas sempre que quiser olvidar as agruras da minha vida”.
Quando avistarem as primeiras dunas, sigam pela rua dos Marecos do Sul, já que não há passadiço naquele local. Logo encontrarão um bar “palafita” que valerá a pena visitar, para se refrescarem. A seguir, e para retemperar forças desta longa caminhada, flitam para o outro bar tipo palheiro da praia da Murtinheira, e rumem a norte, pelo passadiço. Este, embora estreito, e em estado deplorável, permitirá chegar ao local de onde, algumas horas antes, tereis partido.
O cambiar do mar, o infindo areal dourado, as camarinhas em dunas com mais flora ondulante e as encostas verdejantes da serra merecem ser admirados, mas tenham cuidado, não vão tábuas apodrecidas e em falta provocar percalços. É que o regresso deste éden é o retornar ao inferno de promessas políticas feitas e não cumpridas, como é o caso da renovação do passadiço entre as praias de Quiaios e Murtinheira. Mas o éden que tereis visto é tão belo, que tudo se esquece!

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