Opinião – Saúde para Todos

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Há poucos dias soubemos que nenhum médico quis ser colocado nos lugares abertos no Algarve, mostrando como as condições oferecidas não eram suficientemente atrativas ou em simultâneo não há a necessária formação de médicos.
Trata-se de uma situação recorrente desde há muito pois no início do século XIX havia Hospitais Militares que tinham aula de Anatomia e Cirurgia para assistir aos militares, onde “Aparecendo à frente da Aula de Chaves, o frade-bacharel (Frei António de S. Frutuoso) bem depressa se dedicou ao amparo, reforma e desenvolvimento da mesma Aula. E assim, educado em Coimbra, é natural que ele começasse por introduzir algumas cadeiras de clínica médica, porque, como vimos atrás, só eram regidas nas Aulas Militares cadeiras de Anatomia e Cirurgia.1”.
Era um movimento que queria ultrapassar as dificuldades criadas pelo monopólio formativo da Universidade de Coimbra, que tinha sido reformada em 1772, contudo sem ter conseguido desde então suprir as necessidades nacionais de formação de médicos.
Em Londres, a 20 Setembro de 1774, Adam Smith invocando a necessidade de melhorar a qualidade da formação médica tinha aconselhado William Cullen, um líder no ensino médico em Edimburgo, a acabar com os monopólios da formação e ensino médico para melhorar a qualidade dos seus diplomados, apostando por essa razão no seu desenvolvimento profissional.
Nos últimos anos o problema tanto ao nível dos médicos como dos enfermeiros é o facto de não serem oferecidas condições de formação nem salariais no contexto das respetivas carreiras. É uma situação agravada pelo facto de os governos de Sócrates e Passos Coelho terem convidado estes profissionais a deixarem o País, algo que Costa não quis reverter, acenando apenas com a “prenda” de uma final de futebol.
É o resultado de se ter optado por fazer sucessivas injeções de capital em bancos que sabemos não serem geridos de forma correta, configurando uma situação em que os seus gestores parecem apostar num processo continuado que mais parece um jogo de enganos, impondo sempre cada vez mais sacrifícios a uma população que enfrenta dificuldades incalculáveis e disfunções tanto na economia como nas suas condições sociais.
Mais grave é a situação de muitos idosos que têm reformas diminutas para que possam ter a necessária dignidade no seu viver que devem ter, mas quanto a isso os sucessivos governos assobiam para o lado e desconhecem esta realidade, tornando tudo mais difícil neste tempo de Pandemia, onde nem sequer é assegurada a justiça necessária para que as muitas fraudes bancárias sejam erradicadas.
Mas, isso é necessário para que tudo volte aos limites socialmente aceitáveis em que a Saúde seja assegurada a todos e o Futuro Coletivo seja de Esperança.

1 Machado, José Timóteo Montalvão Machado – A Aula de Anatomia de Chaves, Arqueologia e História, 1964, pp. 128-168, p. 161.

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