Opinião: Por Coimbra – falar verdade

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Ao ler um recente artigo num diário nacional fiquei com a sensação de que a campanha eleitoral autárquica em Coimbra começou cedo. Para o articulista, o importante é dizer mal, tudo vai mal, a responsabilidade é de quem dirige a Câmara Municipal.
Também vou recorrer aos dados estatísticos para demonstrar que a realidade é outra.
No final do ano de 2019, a taxa de desemprego – desempregados inscritos nos Centros de Emprego e de Formação Profissional no total da população residente com 15 a 64 anos – na Região de Coimbra foi de 4,2%, na Região Norte 5,4%, na Região de Aveiro 3,9%, na Região de Leiria 3,2%, na Área Metropolitana de Lisboa 4,2% e na Região de Viseu 4,8%.
Porém, ao nível de concelhos a situação foi a seguinte: Em Coimbra 4,6%; em Braga 5,1%; no Porto 8,3%; em Aveiro 4,6%; em Viseu 4,7%; em Leiria 3% e em Lisboa 5,6%. Portanto, ao nível da taxa de desemprego, o concelho de Coimbra, quando comparado com Braga, Porto, Viseu, Leiria, Aveiro e Lisboa, tem a mais baixa taxa de desemprego, só sendo ultrapassado pelo concelho de Leiria e em igualdade com Aveiro.
Se recuarmos ao ano de 2013, a taxa de desemprego no concelho de Coimbra foi, nessa altura, de 9,6%. Das duas uma, ou reconhecemos que quem cria emprego são as empresas e a ação dos municípios tem pouca relevância para o efeito, ou a atividade municipal é muito importante na criação de emprego e então teremos de reconhecer o bom trabalho dos autarcas de Coimbra.
Ao nível da população residente, em 2013, na Região de Coimbra, tínhamos 447.936 cidadãos e no concelho de Coimbra 136.964, e no final do ano de 2019, tínhamos na Região de Coimbra 433.923 cidadãos e no concelho de Coimbra 134.168 cidadãos. Nos últimos seis anos a Região de Coimbra perde população: menos 14.013 pessoas, cerca de 3,1%; já o concelho de Coimbra perde 2.798 cidadãos, cerca de 2%. Portanto, o concelho de Coimbra perde menos do que a Região de Coimbra e, curiosamente, de 2018 para 2019 o concelho de Coimbra aumentou de 133.724 para 134.166 cidadãos residentes, mais 442, mais cerca de 0,3%.
No mesmo período, a Região Norte passou de 3.621.785 para 3.575.338, perdeu 46.447 cidadãos residentes, cerca de 1,3% e o concelho do Porto passou de 222.252 para 216.606 pessoas residentes, a significar uma perda de 5.646, cerca de 2,5%, uma perda superior ao concelho de Coimbra.
A Região de Leiria passou de 291.079 para 284.702 cidadãos residentes – uma perda de 6.377, cerca de 2,2%; o concelho de Leiria passou de 125.977 para 125.267, perdeu 710 pessoas residentes, cerca de 0,6%.
A Região de Aveiro no mesmo período passou de 366.086 para 363.803 cidadãos, perde 2.283, cerca de 0,6%, enquanto o concelho de Aveiro subiu de 77.229 para 78.734, um crescimento de cerca de 1.505, cerca de 1,9%, mas há que ter em conta que o concelho de Aveiro tem 58,7% da população de Coimbra, isto é, tem menos 41,3% da população residente do concelho de Coimbra.
Os números não confirmam, de forma alguma, os profetas da desgraça, todos desejamos mais e melhor e o erro só existe em quem trabalha. Mas a realidade é muito diferente do quadro de pintura divulgado em artigo de opinião. Os factos e os números não confirmam o que afirmam.
Recordo Torga: “A evidência dos factos dispensa comentários. Com trigo a nascer-lhe nos fossos, não há praça forte que resista. Contudo, sempre direi que muito teimosa é esta humanidade. E muito impenetrável à razão!”
A fonte de dados foi a PORDATA, da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Pode ler a opinião de Victor Baptista na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

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