Opinião: O Plano ACS (II)

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A bazuca na ordem dos 60 mil milhões de euros está aí, mas precisa de uma boa aplicação, sobretudo precisa de ponderação dos investimentos a realizar, sem esquecer o setor empresarial exportador. As exportações são a garantia de entrada de liquidez na economia, se estas forem superiores às importações.
O crescimento económico pela via do consumo arrasta o crescimento das importações, temos de consumir produto português. Num país altamente endividado, impõe-se uma balança comercial com saldo positivo, se pretendermos ter um futuro de mão livre.
O Plano ACS, genérico, mas abrangente, sem quantificação de valores, não resiste ao “pecado” de outros planos. A aposta no investimento público. A receita tradicional e não resiste na ferrovia, ao TGV, a alta velocidade entre Lisboa e Porto. Não refere o tempo que se ganha com o TGV entre Lisboa e Porto, nem o valor que se vai gastar.
Uma pergunta óbvia: Quantos milhões se vão gastar; e qual o tempo que se reduz na viagem?
Se for para reduzir meia hora na viagem é um desperdício de recursos.
A melhoria da linha entre lisboa e Porto sobretudo ao nível da segurança parece ser o investimento adequado.
As oportunidades não se podem perder, mas exige-se responsabilidade, seletividade e moral nos gastos públicos. Compreendem-se os projetos ferroviários dos eixos Sines-Madrid e de renovação da Beira Alta, por motivos evidentes, mas o TGV Lisboa-Porto é muito difícil de aceitar, mais parecendo ser o “excêntrico” esbanjamento de um prémio do euromilhões.
O Plano ACS não esquece ao nível portuário, os portos de Sines e Leixões na preocupação de aumentar a competitividade em termos de instalação e equipamentos para receber grandes navios referindo-se a necessidade de uma maior extensão de cais, mais áreas de manuseamento de cargas e estruturação de plataformas logísticas. Mas, mais uma vez, não se quantificam valores.
Lá diz o ditado “Que Roma e Pavia não se fez num dia”. Sines parece ser um passo certo, ao encontro de uma maior aproximação do centro da europa. Uma ligação ferroviária e portuária, mas porquê Leixões? Têm de quantificar o valor e explicar.
Uma pergunta: E porque não o porto de Aveiro ou de Lisboa?
O Plano ACS vai longe na ambição, referindo que “é importante Portugal tirar partido do Projeto de Rede Transeuropeia de Transportes, aprovado em 2013, com o mecanismo interligar a Europa no sistema de 9 eixos ou corredores, que atravessam a Europa. Para Portugal é crucial articular a sua rede de transportes coma Rede Europeia explorando o corredor Atlântico que tem 4 alinhamentos, sendo que 3 têm origem em Portos nacionais: Sines/Lisboa-Madrid-Valladolid; Lisboa-Aveiro-Leixões-Porto; Aveiro-Valladolid-Vitória-Begoña-Bilbau / Bordeaux-Paris.
O Plano ACS parecesse muito com os programas dos partidos políticos – tem tudo para todos – mas, sempre com o mesmo denominador comum, faltam os valores e as fontes de financiamento. E, mais do que isso, o tão importante custo de oportunidade.
Na pesquisa no Plano do investimento empresarial, encontra-se muito pouco, no entanto realço o Programa de capacitação dos centros tecnológicos e de investigação aplicada. Um aspeto positivo, com a preocupação de financiamento de equipamentos tecnológicos, instalações, estruturas de mediação empresarial envolvendo investimento e recursos altamente qualificados visando a difusão tecnológica, a valorização do conhecimento, a vigilância tecnológica e de mercado, a preponderância da I&D colaborativa de aplicação industrial, de melhoria da produtividade e da organização industrial. Mas, mais uma vez faltam os números para que não cheire a mais do mesmo na velha canção italiana, Dalida – parole, parole, parole.

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