Opinião: Em defesa da verdade – O Desmantelamento do Hospital dos Covões

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FOTO DB – CARLOS JORGE MONTEIRO

Os profissionais do Hospital dos Covões vêm clarificar as declarações do Presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) ao jornal digital Notícias de Coimbra, em relação à desclassificação da Urgência do Hospital dos Covões que, segundo o Dr. Carlos Santos, careceram “de qualquer fundamento”.
Gostaríamos de esclarecer, em defesa da verdade, que o serviço de urgência do polo do Hospital Geral (HG) do CHUC (Hospital dos Covões) se encontra, desde meados de junho, após plano de contingência Covid19, dotado apenas de 2 especialistas de Medicina Interna durante o dia e 1 especialista dessa especialidade durante a noite, tendo apoio do Cardiologista de serviço ao setor de Hemodinâmica (tratamentos programados), 2 internos de especialidades médicas e 2 médicos de clínica geral. Esclarecemos ainda que, previamente à pandemia, neste polo de urgência existiam, de presença física, especialistas e internos de Cirurgia, especialistas de Ortopedia, com equipa dimensionada para efetuar intervenções cirúrgicas. Até 1 de agosto de 2019, estavam de presença física na Urgência do polo HG, 1 especialista de Pneumologia acompanhado de interno da especialidade, tendo sido nessa altura retirados da escala.
À estrutura existente até início da pandemia chamava-se Urgência Médico-Cirúrgica. Para o que existe atualmente não há definição: talvez Urgência Básica com Medicina Interna ou Urgência Médico-Cirúrgica sem especialidades cirúrgicas.
Queremos relembrar que, desde o início do ano, foram encerrados os serviços de internamento de Cardiologia ( 15 camas), Pneumologia ( 20 camas), reduzidas as vagas de Cirurgia (eram 35, posteriormente 12 e atualmente são 16 camas).
Podemos afirmar com o conhecimento de quem trabalha na Urgência do HG-CHUC que, este serviço, bem como outros do mesmo hospital, se encontram em processo de desmantelamento, tendo sido afirmado publicamente pela ministra da Saúde e pela ARS Centro que esta estratégia do Conselho de Administração do CHUC carece de qualquer fundamento técnico ou mesmo político.
Quando o Dr. Carlos Santos afirma que estas informações são “precipitadas e não suportadas em factos, ditadas, muitas vezes, por razões conjunturais”, nós dizemos que já é altura de se falar com honestidade acerca deste assunto.
Não, não são declarações precipitadas. Não há qualquer precipitação quando este tema já foi discutido em reuniões, debates com os mais variados formatos, conferências de imprensa e manifestações. A conclusão é sempre a mesma: Há um desmantelamento em curso no Serviço de Urgência e em todo o Hospital dos Covões.
Sim, as afirmações de desmantelamento do Hospital dos Covões são suportadas por factos reais. Está à vista de todos a perda de especialidades e de capacidade de internamento/tratamento nos vários serviços, tendo a Urgência sido transformada numa coisa para a qual não existe qualquer definição na Rede de Referenciação Hospitalar de Urgência.
As razões conjunturais resultam, pois, na destruição iminente de toda a estrutura hospitalar da região Centro, no que ao SNS diz respeito. Se isto não são motivos suficientes para estarmos todos apreensivos e a pedir satisfações ao Conselho de Administração do CHUC, pedimos desculpa pelo incómodo.
Mas, perante um desastre como o que ocorreu no dia 31 de julho com o comboio Alfa-Pendular em Soure, em que foi necessário transportar feridos para o Hospital Distrital da Figueira da Foz, dizemos que o que está a acontecer é muito perigoso.

Médicos / Grupo solidário
“Pela Saúde em Coimbra”

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