Opinião: Chafurdando na lama

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Os elaborados textos por vezes enfermam da ineficácia da mensagem. Talvez por essa razão o humor é fácil quando é avilanado, ordinário, puxado das zonas profundas da língua, das partes escondidas do corpo. Herman José, Ricardo Araújo Pereira, Bruno Nogueira são predadores da brejeirice e por vezes utilizadores abusivos da escatologia mais boçal.
Quis eu explicar a diferença que vai da melhor gestão à melhor execução, da mais construída teoria à mais simplória pratica quando há um ano falei de piaçabas. Não me expliquei o suficiente.
Quando um teorizador abandona uma arrastadeira em inox construindo a negação com brilhantes desígnios, científicos suportes sobre infecção, ou até baseado em teses doutorais ou certificações europeias, o melhor mesmo era experimentar por e tirar arrastadeiras, depois limpá-las, colocá-las nas máquinas de as lavar e nas estufas. Depois dessa tarefa executava o mesmo exercício colocando a modernidade de cartão prensado. Hoje os hospitais são invadidos de arrastadeiras cartonadas que não se lavam, maceram-se. Agora as máquinas de lavar os excrementos e excreções depositados em metal são arrumadas e surgem estas novas que retiram o trabalho chato de despejar o coco alheio. Tudo é destruído nos maceradoras após garantir a saturação em água e a dispersão do resíduo na canalização. As novas tecnologias retiram o trabalho manual desagradável.
Eis senão quando surge o busílis. Os cidadãos e cidadãs deste mundo estão mais gordos, atingem pesos para lá dos três dígitos e esmagam as arrastadeiras de cartão. O que era suposto ser uma beleza transforma-se num folhado de chocolate que obriga a higienizar costas de doentes e camas. A maceração do cartão com trampa dentro é o único caminho possível, mas agora já há chocolate em muitos lugares.
Uma grande ideia, um bom negócio acaba de esbarrar com uma evidência – o cartão não aguenta o mesmo que o metal. Só que os novos gestores e economistas da saúde não precisam de se informar com quem trabalha. As decisões sucedem-se nos gabinetes, longe dos braços de trabalho. Provavelmente necessitamos os dois tipos de arrastadeira, e possivelmente as de metal vão ser mais necessárias quando o acamado é obeso. Infelizmente as decisões são radicais e hoje os hospitais são pastelarias de folhados acastanhados que deixam as cozinhas imundas. “A Vernacare lançou a maceradora Compact, um utensílio concebido para uma resposta rápida, segura e efetiva na eliminação de arrastadeiras e/ou urinóis de uso único no local de utilização”. Depois explicou aos decisores a importância e a urgência desta escolha. Conseguiu o distribuidor português que falou com o Ministério da Saúde. Seguiram-se os contratos por uma ideia moderna, importante e muito necessária. Ou seja construiu-se a necessidade e depois partiu-se para o negócio. O verdadeiro negócio de trampa que envolve milhares de cus deitados em camas – uma facturação irrepreensível! Vade retrum!

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