Opinião: Cais de cruzeiros

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À semelhança de muitas praças e edifícios notáveis, alguns já desaparecidos como o Teatro Príncipe D. Carlos inaugurado em 1874, foi em terrenos conquistados ao estuário do Mondego onde se construiu o edifício dos Paços do Concelho, em 1897, e muitos anos mais tarde, em 1986, a Praça da Europa. Há uma ligação indissociável entre a fachada do principal edifício municipal, nomeadamente a sua entrada, com o relógio de sol com a qual está alinhada na perfeição. Monumento este que marca o centro geométrico da praça.
Em virtude da exposição solar da praça e aproveitando a orientação Norte-Sul face à foz do rio, o seu relógio de sol funciona na perfeição, marcando a hora solar, os meses e as estações do ano, identificados através dos signos do zodíaco, num semicírculo construído em pedra calcária recuperada das antigas docas (e não um tal deserto asfaltado como alguns referem…). Traduzindo-se num recinto com uma dimensão à escala de uma qualquer outra praça cosmopolita.
É, portanto, na riqueza dos materiais, na diversidade e da geometria dos seus pavimentos, bem como no ponteiro do relógio de 10 metros de altura com a forma de uma vela de um barco, e em todo seu enquadramento paisagístico que reside toda a sua singularidade.
Esta praça é ladeada de jardins e espaços verdes tratados, e tem uma vista privilegiada sobre o Rio Mondego a sul, sobre o porto comercial a este e sobre a marina de recreio e sobre a entrada da barra a oeste. A norte surge o imponente edifício municipal construído sobre 2500 metros cúbicos de estacas de madeira de pinho provenientes das matas nacionais de Fôja e do Urso. É, aliás, a própria praça que o realça e que lhe dá a merecida dimensão e dignidade.
Ao contrário do que parece, este local é muito fruído. Da janela da câmara municipal, podemos observar que é desfrutado pelos figueirenses para passeios ou para contemplação da bela paisagem num dos inúmeros bancos de jardim que lá existem, tem sido usado para alguns eventos pontuais, servido para pontos de encontro e até para manifestações… Quem sabe se um dia não poderá ser também um cais para os pequenos cruzeiros de passageiros que nos últimos anos têm incluído a Figueira nos seus circuitos europeus?

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