Opinião: 24 de Agosto de 1820

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Adolesci estudando no Liceu Alexandre Herculano do Porto que fica perto do Campo 24 de Agosto, cujo significado nos tempos de repressão que se viviam, sempre me esconderam. Aconteceu o mesmo em Coimbra quanto ao significado da Praça 8 de Maio pois “o período que se seguiu àquele 8 de Maio, após uns dias de euforia liberal, foi o que era de prever, como reação a anteriores perseguições miguelistas. Dos partidários miguelistas, os mais notáveis que não puderam fugir, foram presos e alguns assassinados nas ruas.” (https://acercadecoimbra.blogs.sapo.pt/coimbra-o-8-de-maio-de-1834-82120, acesso em 4 de agosto de 2020 ).
Felizmente, um dos críticos do 24 de Agosto, José Acúrcio das Neves, relata com rigor o que se passou não escondendo factos e, neles, a importância do estudo da economia segundo Adam Smith. Foi algo que D. Rodrigo de Sousa Coutinho o aconselhou a fazer, pois “tendo se formado em direito na Universidade de Coimbra” desconhecia o trabalho deste professor escocês publicado em 1776.
Sendo José Acúrcio das Neves um conservador miguelista e por essa razão contra todas as revoluções, escreveu:
“Está lavada a nódoa do 24 de Agosto de 1820, dia nefando, e que como tal deve ser marcado nos nossos calendários, em que aquela facção conseguiu seduzir um povo crédulo e inocente, induzindo-o a movimentos insurrecionais, tão alheios do carácter português” .
Na verdade, a Revolução Francesa espoletou movimentos revolucionários em toda a Europa, tendo sido induzida pelo exemplo da Revolução e Independência Americana. Contudo, desembocou na ascensão de Napoleão Bonaparte ao poder imperial, que um dia decidiu invadir Portugal, evidenciando assim a fragilidade da Monarquia Portuguesa.
As invasões francesas, causaram não só graves prejuízos à Economia de um Portugal Continental e, sendo derrotadas por um exército luso-britânico deixaram-nos nas mãos destes “aliados”, sendo por isso necessário um 24 de Agosto para nos restituir a Liberdade.
Iniciando-se agora o necessário período comemorativo, onde a Figueira da Foz marca já presença, associando-se ao Porto, é necessário que todos percebamos como uma sucessão de revoluções e contrarrevoluções moldaram o carácter português, tornando possível no Século XX uma Revolução Republicana e um Estado Novo.
Foi neste Estado Novo com contornos fascistas, que José Acúrcio das Neves pontificou injustamente como ideólogo pois era contra qualquer poder despótico, mostrando como o servilismo de muitos ou tão só de alguns é um perigo permanente tanto num Estado Absoluto, que pode ser uma Ditadura, como num Estado Democrático, onde se manipulam consciências para criar servilismos.
Guiados pelo espírito lúcido de José Acúrcio das Neves, com o qual não é fácil concordar, critiquemos os servilismos existentes no atual Estado Democrático moldado pela Globalização.

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