PCP contra “progressivo desmantelamento” do Hospital dos Covões em Coimbra

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O PCP manifestou-se hoje contra o “progressivo desmantelamento” do Hospital dos Covões, que integra o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), criado em 2011.

O Hospital dos Covões, também identificado por Hospital Geral, “faz falta ao SNS [Serviço Nacional de Saúde], afirma o PCP de Coimbra, sublinhando que são cada vez mais “as vozes que se afirmam” em defesa desta unidade e se “insurgem contra o seu progressivo desmantelamento, contra a perda de valências e de importância no contexto da resposta aos cuidados de saúde na região Centro”.

Numa nota enviada hoje à agência Lusa, a Direção da Organização Regional de Coimbra do PCP considera que “o progressivo desmantelamento desta unidade tem responsáveis, resulta de opções políticas que ao longo dos anos foram tomadas pelo PS, PSD e CDS, e muitas vezes com a cumplicidade do poder local”.

Trata-se dos “mesmos responsáveis pela degradação dos cuidados de saúde primários em todo o distrito, pelo encerramento e funcionamento inadequado dos centros de saúde e extensões de saúde, pela degradação das maternidades e adiamento constante da construção da nova maternidade em Coimbra”, acrescenta.

O PCP é uma das forças políticas que defende a criação da nova maternidade de Coimbra (para substituir a duas maternidades da cidade – Bissaya Barreto e Daniel de Matos), “com ligação ao Hospital dos Covões”.

Os comunistas sempre se opuseram, “com a crítica, com a luta e proposta de valorização do Hospital dos Covões”, e contra as opções que têm vindo a beneficiar “os interesses privados, os grandes grupos económicos ligados à saúde e em claro prejuízo das populações e dos utentes”.

Sem que tenham sido feitos estudos técnicos, “foram sendo retirados do Hospital dos Covões, que abrangia cerca de 800 mil utentes, serviços tão nucleares como os de gastrenterologia, neurologia, neurocirurgia, urologia, otorrinolaringologia, oftalmologia e outros, desarticulando equipas com grande experiência acumulada, desaproveitando a capacidade instalada”, critica o PCP.

“A desvalorização” do Hospital dos Covões “prosseguiu, em abril de 2019, com a extinção do serviço de pneumologia” e o encerramento do serviço de cardiologia (maio de 2020), “sendo que muitas das especialidades encerradas” ali “foram abrindo nas unidades hospitalares privadas”.

Já este ano, Covões foi designado “hospital de referência para a covid-19, com todas as valências (urgência, medicina interna, pneumologia, reanimação, cardiologia, TAC, RMN, nefrologia, hemodiálise, laboratório)”.

Este hospital, realça, “revelou-se fundamental para o combate ao surto epidémico”.

O PCP apresentou na Assembleia da República (AR), em 2016 e em 2018, um Projeto de Resolução para a reversão do processo de fusão dos hospitais integrados no CHUC, mantendo os atuais serviços e valências e recuperando os perdidos no Hospital dos Covões, mas “foram rejeitados com os votos contra do PS e a abstenção de PSD, CDS e PAN”.

O projeto será reapresentado pelos comunistas na abertura da próxima sessão legislativa, anuncia o PCP, que espera que “o amplo consenso público em torno da defesa do Hospital dos Covões tenha tradução na votação” na AR.

O CHUC agrega três grupos hospitalares, “envolvendo oito hospitais, com âmbito regional e até nacional em algumas especialidades”.

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