Opinião: “Não há necessidade. Qual é a pressa?”

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Portugal vive um dos momentos mais difíceis e trágicos da sua riquíssima história.
Não bastava a epidemia e os discursos difusos de alguns responsáveis técnicos e políticos – mistura explosiva -, consubstanciados em informações pouco credíveis, digo eu, para “aparecer” à luz do dia a convulsão interna do partido do governo.
O combate à epidemia deve ser uno e indivisível. Todos cometemos erros de análise, sem medo de tal, porque a todo e qualquer momento pode surgir uma impossibilidade. Só não erra quem não faz!
Como diria outro, “prognósticos só no fim do jogo”!
Enquanto a epidemia avança em locais que se julgavam a salvo, os discursos dos responsáveis, até autárquicos, tornaram-se imperceptíveis. Ou seja, são de tal modo absurdos, que nos colocam na difícil posição de tentar perceber o que não faz sentido. Exercício bonito e pedagógico, sem dúvida!
Depois da idiotice do Campo Pequeno, do 1º de Maio e ainda mais depois, da manifestação contra o racismo, que melhor sinal se poderia dar aos cidadãos que passaram semanas inteira dentro de casa, para se juntarem em grupos para conversar e mais que tais?
Poderemos dizer que era muita “malta” junta, sem regras, nem ordem, mas do que nos adianta?
Era preciso “libertar” por causa da economia. Todos reivindicavam a abertura de tudo o que era comércio para que não existissem mais falências. Só que liberdade implica responsabilidade!
A pressão sobre o governo foi de tal ordem que não teve outra hipótese, senão começar a abrir o País à economia… e também ao lazer!
Mas, pergunto eu: se o governo entendesse que eram pressões inaceitáveis, não deveria ter colocado em causa essas manifestações patéticas?
O governo vai sair muito fragilizado desta crise, porque quer. Porque não soube, ou não quis, em altura oportuna, tomar a difícil decisão de dizer: “mais vale só do que mal acompanhado”! Não deveria ter cedido à chantagem, digo bem, chantagem dos partidos ditos à sua esquerda. O País vale bem mais do que eles!
O PS poderia ter-se visto livre deles durante esta crise, porque todos sabemos que quem não aspira a governar tem a missão, fácil, de dificultar a vida a quem governa.
O País precisa de se aliar a quem queira construir bases sólidas para o futuro, e não valorizar opiniões de circunstância sem nenhuma base sustentável.
Governar “ao sabor do vento, ou dos ventos”, nunca foi aconselhável. É necessário assumir a governação como uma missão.
Fazer do Partido Socialista uma organização menor, com alguns protagonistas a olhar mais para o umbigo do que para a estrutura nacional e o governo da Nação, é um mau sinal para Portugal e para a Europa. Por tal, qual é a pressa de fazer votações para órgãos políticos em meados de Julho e Congresso em Setembro, sabendo que é absurdamente contra os seus próprios estatutos?
Qual é a pressa, para chamar a votar milhares de socialistas em locais de área diminuta por todo o País, contrariando sobretudo as orientações da Direcção-Geral de Saúde?
Qual é a necessidade de arriscar a saúde dos militantes do Partido Socialista e dos cidadãos que com eles convivem diariamente?
O Partido Socialista não ficará, nem se sentirá fragilizado se as eleições se realizarem mais tarde.
Apesar das eleições para as autarquias “serem já amanhã” – sabe-se lá quem vão ser os candidatos socialistas ou independentes, ou outros – em primeiro lugar deverá estar o combate à pandemia e a defesa da saúde dos cidadãos.
Essa é que deverá ser a sua primeira preocupação.
Como diria o outro… organizem-se!

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