Opinião – Em defesa de um Programa Nacional de Biomassa (III)

Posted by

O consumo médio anual de energia final em Portugal é cerca de 18 Mtep (milhões de toneladas equivalentes de petróleo), dividindo-se em transportes ( 38%), eletricidade ( 23%), e calor ( 39%). E importamos 80% da energia que consumimos, representando o petróleo 60%. Sendo a importação de fontes energéticas primárias uma das mais importantes causas do desequilíbrio da Balança Comercial, afetando negativamente as Contas Externas nacionais, desde há muito tempo que defendo um maior uso das fontes energéticas endógenas e renováveis, de que se destacam as várias formas de biomassa, e em particular, a biomassa florestal residual (BFR).
A Floresta Nacional é uma relevante vantagem competitiva atual e futura, devendo ser objeto de um reforço de valorização do seu grande potencial, desde a transformação dos materiais lenhosos em produtos de alto valor acrescentado, à geração de energia com despojos florestais. Acresce que a valorização energética da BFR incrementa o desenvolvimento económico e social em zonas deprimidas e, ao proteger o ambiente, promove o desenvolvimento sustentável.
O criterioso aproveitamento e valorização da BFR são vitais para reduzir o risco de incêndio florestal que ameaça continuamente a floresta e compromete setores exportadores que dela dependem, e outros. Retirar BFR das matas reduz o risco de incêndio florestal, pelo que as atividades de limpeza e gestão florestal deveriam ser incentivadas, por, em média, arderem mais de 100.000 hectares de floresta e matos por ano, destruindo vidas e riqueza, contribuindo os incêndios florestais, de modo expressivo, para as emissões globais de CO2 para a atmosfera.
Não se deve esquecer que a transformação controlada da BFR em energia é neutra quanto ao aumento do efeito de estufa, devido ao efeito da fotossíntese durante a fase de crescimento das árvores. Para além de que a BFR pode ser transformada em energia quando esta é necessária, o que não acontece com outras energias renováveis; e no caso particular da sua transformação em energia elétrica, evita-se a maior redundância do sistema elétrico com base em energias fósseis.
A BFR criou, e tem ajudado a manter, centenas de empregos no meio rural, nomeadamente nalgumas das zonas mais desfavorecidas do interior, nas atividades de recolha, processamento e transporte que antecedem a valorização energética. Transformar biomassa em energia significa criar também muitos empregos qualificados em centrais térmicas e termoelétricas, e nas fábricas de biocombustíveis sólidos. E se o país criar as bases de racionalidade económica que permitam o desenvolvimento destes tipos de atividades, estas ampliar-se-ão bastante, num futuro próximo.
Para além do inegável valor da valorização da BFR, que foi aflorado sumariamente em três crónicas singelas, um Programa Nacional de Biomassa deve abranger as restantes formas de biomassa que abundam em Portugal, como se tentará evidenciar noutros artigos de opinião.

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.