Opinião: Cultura e o Renascimento sempre possível

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Agora que estamos nalguns lugares menos confinados, enquanto que noutros o confinamento regressa em força como resultado de uma sociedade injusta, pois alguns vivem e trabalham em condições que vão do degradante ao sofrível. Agora e também antes os homens ricos ou pelo menos bem remediados queriam que os mais pobres vivessem em condições de sacrifício, convencendo-os sempre que isso era necessário para que a Economia progredisse.
Outros bem falantes e melhores escreventes, afirmavam que “Outros portugueses ilustres figuravam brilhantemente no lado dos GOUVEIAS, como professores do colégio; basta lembrar o bracarense Diogo de Teive, poeta apreciável e historiador pomposo na língua de CÍCERO, que veio parar também a Coimbra mais tarde” ( 1 ), ficando então tudo bem e a caminho do Renascimento que nunca aconteceu a bem dizer de forma sólida.
Recentemente, o nosso primeiro ministro embandeirou em arco e disse que um conjunto de jogos de futebol à porta fechada, porque sem público, eram um prémio aos médicos e enfermeiros que, embora mal pagos, tinham parado a primeira arremetida de um vírus que tinha chegado a Portugal, e só por força dos nossos negócios com a Europa que os tem com a China.
Estava mesmo eufórico com o resultado positivo desta primeira batalha.
Esqueceu-se que a capital tem muitos trabalhadores a viver em condições precárias e, mais. que os seus transportes públicos não permitem o recomendado e imprescindível distanciamento social, configurando uma nova normalidade que não se assemelha em nada a um desejado Renascimento. Era assim um Castelo no Ar, que não trará multidões a ver o belo Castelo de S. Jorge e muito menos a ver os fogareiros de Santo António.
Tudo era um “wishful thinking”, ou seja, queria tomar como real um desejo muito necessário à economia que era só e estreitamente turística.
A complicar tudo jovens e menos jovens faziam festas por tudo quanto era sítio e os donos dos lares faziam também o que lhes apetecia.
Entretanto, algumas pessoas avisadas fizeram o estudo da topografia de Lisboa e mapearam os corredores rodoviários, aquele em que o novo corona vírus circula com maior à vontade dada a escassez de transportes. Foi isso que desenhou a contragosto do primeiro-ministro e do PR, um novo mapa da calamidade ao aumentar o número de infetados, não deixando baixar o número de mortos por Covid 19.
Ao mesmo tempo, a DGS esqueceu-se do calendário normal dos Festejos Juninos e ordenou às gentes do Norte que festejassem com prudência o S. João no dia 24, mas já o tinham feito a 23. E toda a gente se riu deste despistanço alfacinha.
E agora neste Julho receamos o que nos vai acontecer.

( 1 ) Manuel Gonçalves Cerejeira – O Renascimento em Portugal I, Clenardo e a Sociedade Portuguesa, Coimbra Editora, Limitada, 1974, p. 51.

Pode ler a opinião de Aires Antunes Diniz na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

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