Opinião: Algumas certezas de hoje poderão ser lágrimas amanhã

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Após o meu último texto, fui ler, alguns na diagonal, o que escreveram comentadores económicos – uns deles até ex-ministros – para aferir da justeza, ou não, das propostas do Professor António Costa e Silva.

Fiquei estupefacto com a certeza de alguns, porque até parece que economia é uma ciência exacta, e não o que poderá ser expectável.

Um deles escreveu, e tem razão, que é “fundamental monitorizar, fiscalizar e auditar os programas”, a partir do momento que sejam aprovados. Só que enquanto ministro, não consegui encontrar uma só lei em que isso fosse determinado.
!5 mil milhões é muito dinheiro, mas não tanto como o País precisa. No entanto, bem aplicados – em prol da economia e dos cidadãos e não para o favorecimento de uns amigalhaços – é um valor que poderá determinar uma nova forma de governação.

Outros economistas, assumiram que o seu desporto favorito é bater no governo e até no autor, como se o próprio fosse um perigoso “Socrático”! Análise simplista, sem conteúdo, quando se esperava bem mais de cidadãos que assumem o liberalismo como o melhor dos mundos.

Os mesmos liberais que, quando a crise estala, são os primeiros a ajoelhar perante o Estado, todos nós, e pedir uma esmola para quem lhes paga as avenças.

Vale a pena recordar que, em tempos que já lá vão, se malbarataram milhares de milhões de euros vindos da Europa que se destinavam à economia, mas que acabaram nos bolsos de uns aldrabões. Eu sei que isso já foi no século passado, como se “século passado” fosse há mais de cem anos! Mas não. Foi mesmo “ontem”!

A única coisa que lamento no programa apresentado, é que Coimbra e a região centro sejam brutal e estupidamente prejudicados, em favor de centralidades esgotadas e sem nexo.

Investir cerca de 500 milhões de euros numa linha de metro de Lisboa, retirando-os daquilo que deveria ser um desígnio nacional – a valorização do centro e do interior – é injusto e assassino!

Olhamos para isto resignados, condenados, sem mais ninguém a quem recorrer.

Será que o centro, nós, não conseguimos, nem conseguiremos, reagir? A ver vamos!

Se ao menos tivéssemos um Presidente da República que fosse um árbitro qualificado talvez o jogo não estivesse viciado. Mas assim, distribuindo uns beijos por esse país fora, não tem tempo de pensar no País que o elegeu.

Pelo menos tenho a vantagem de nele não ter votado…nem irei votar!

Vou esperar com grande expectativa como se vão comportar os deputados que elegemos em Coimbra e ao centro. Perceber, se estão dispostos e disponíveis para uma batalha difícil, ou se já se deixaram vergar a interesses que não os nossos.

E bem pode acontecer que, a não ser assim, as eleições autárquicas possam ser uma caixinha de surpresas.

Será que os cidadãos continuarão a acreditar na virtualidade dos partidos tradicionais, ou vão dar força a partidos marginais e a grupos de cidadãos independentes?

Algumas certezas de hoje, poderão ser lágrimas amanhã…se não tiverem juízo!

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