Nuno Moita: “Homenagem àqueles que garantiram os serviços essenciais e impediram que a pandemia se estendesse”

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DB-Pedro Ramos

Assinala-se esta sexta-feira o Dia do Município de Condeixa-a-Nova. Há uma sessão solene, mas não é a mesma coisa sem as Festas de Santa Cristina?
A covid-19 não nos permite ter em Condeixa-a-Nova as festas tradicionais de Santa Cristina, como aconteceu no ano passado, durante seis dias, com milhares de pessoas. Mesmo as celebrações religiosas não se vão realizar.
Foram quatro meses de pandemia, que nos pareceram anos, mas este período ainda não está terminado. Por isso, o Dia do Município é assinalado de forma condicionada, no átrio da câmara, com um máximo de 40 pessoas presentes e transmissão em direto nas redes sociais do município.
A Câmara Municipal tentou minorar o efeito da não realização das festas e, ao mesmo tempo, dar um sinal de esperança, com a realização de um evento que são as Noites de Verão, no átrio do Museu PO.RO.S, com o controlo de entradas, embora gratuitas. Já vai no 3.º fim de semana e, quase sempre – embora reduzindo a lotação a 300 espetadores – completamente preenchido.
É uma iniciativa que queremos manter no próximo ano, mesmo que não seja com esta calendarização, para não colidir com o regresso das festas de Santa Cristina, como todos esperamos.

Então, de que forma é assinalado o Dia do Município?
Vão ser atribuídas medalhas de mérito para um conjunto de instituições, que foram importantes no combate à covid-19 no concelho. É uma homenagem temática, se assim se pode dizer, reconhecendo o trabalho feito por aqueles que garantiram os serviços essenciais e os que impediram que a pandemia se tivesse estendido à comunidade, desde o trabalho dos bombeiros e da GNR, até às juntas de freguesia, Equipa de Intervenção Direta de Condeixa-a-Nova e instituições de saúde, incluindo as Irmãs Hospitaleiras da Casa de Saúde Rainha Santa Isabel, onde houve um surto, mas que foi controlado.
Também serão atribuídas medalhas municipais de bons serviços a funcionários da câmara: uma medalha a um funcionário com 40 anos de serviço (ouro) e sete a funcionários com mais de 20 anos de serviço (bronze).
As celebrações ficam concluídas com visita à requalificação final da Casa dos Arcos, monumento do séc. XVII adaptado a “Centro de Promoção e Divulgação de Ideias e Produtos”.
Foi uma obra realizada no âmbito do PARU (Programa de Ação de Reabilitação Urbana), com um investimento de cerca de meio milhão de euros, financiado a 85% e a que eu chamo “lugar da Condeixalidade”. É onde vamos ter, até ao fim deste ano, de forma interativa, referências aos hábitos e tradições do concelho. Também vai integrar um posto de turismo.

Quais são as outras obras PARU no concelho?
A segunda das três empreitadas no âmbito do PARU que, aliás, sofreu muitas vicissitudes burocráticas ao longo de dois anos, até ter autorização do IMT (Instituto da Mobilidade e dos Transportes) para mudança de uso, é a antiga Fábrica de Cerâmica de Conimbriga, que vai ser transformada em Centro de Desenvolvimento da Cerâmica/Incubadora de Indústrias Criativas. Agora já está em fase concurso, devendo ser adjudicada antes do final de 2020, com um orçamento de 1,6 milhões de euros e financiamento de 85%, num prazo de execução, se tudo correr bem, de um ano. É o maior investimento de sempre em Condeixa numa só obra.
Também a antiga escola primária, designada vulgarmente Feminina, foi reabilitada, com 167 mil euros de investimento e conclusão de obras em breve. Será uma incubadora ligada à área da hotelaria, numa parceria entre a CIM-RC, autarquia e Turismo de Portugal, que garante a sua utilização permanente.
Finalmente, caso haja reforço do PARU, temos esperança de incluir a recuperação do edifício da Fundação Ana Laboreiro D’Eça, mas está condicionado a fatores externos à autarquia.

Entretanto, o mundo entrou em estado de pandemia. Com que consequências a nível concelhio?
As consequências sociais são muito fortes, e ainda não temos os dados de junho. Basta olhar para a duplicação do número de desempregados no concelho: de cerca de 300 para quase 700; ou seja, subiu de uma taxa muito baixa para quase nove por cento. Isso nota-se no número de pedidos de ajuda à Ação Social e processos entrados no Gabinete de Inserção Social, criado há cerca de três anos, com um trabalho fantástico e que agora volta a estar na linha da frente. Aumentámos o valor do Plano de Emergência Social, que é agora de 120 mil euros anuais, e temos capacidade para o triplicar. Criámos uma linha direta para que as pessoas não se sintam constrangidas de fazer os contactos necessários. Entretanto, continuamos a fazer a entrega regular de cabazes alimentares, já por três vezes, a cerca de uma centena de famílias.

Pode ler a entrevista completa e consultar o especial do Dia do Município de Condeixa-a-Nova na edição impressa e digital do Diário As Beiras

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