Mealhada quer discutir novo modelo de financiamento da Fundação do Bussaco

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O presidente da Câmara da Mealhada pediu hoje ao Governo que aceite discutir um novo modelo de financiamento para a Fundação Mata do Bussaco, admitindo não indicar um sucessor do atual presidente, que cessa funções em agosto.

Rui Marqueiro não esconde a preocupação com o futuro da Fundação que gere os 105 hectares de Mata Nacional, até porque as receitas de bilheteira que ajudam a compor o orçamento da instituição caíram para um quinto devido às restrições impostas pela pandemia covid-19.

O atual presidente da Fundação, António Gravato, atinge no início de agosto a idade legal de aposentação, situação que coincide com o fim do mandato de quatro anos, que, em 2019, tinha sido prolongado por mais um ano.

Marqueiro tem palavras elogiosas para o trabalho de António Gravato. Sob a direção deste engenheiro silvicultor, o Bussaco cresceu em notoriedade e em visitantes, chegando a ultrapassar a barreira dos 250 mil visitantes de todo o mundo, incluindo novos mercados, como Israel, Coreia do Sul e Estados Unidos da América.

Ainda sob a gestão de Gravato foi lançado o programa Bright, de combate às espécies invasoras, em especial acácias, que congregou centenas de voluntários e contou com o apoio de grandes empresas, como a Altri.

Depois de largos anos de espera, o Bussaco tornou-se monumento nacional, sob a direção de Gravato, passo considerado vital para a candidatura, em curso, a Património Mundial da Humanidade. Avançou ainda a recuperação do Património Edificado, nomeadamente com restauro das capelas. À espera de financiamento comunitário está a recuperação das garagens do pavilhão de caça do último rei de Portugal.

Nesses anos, a Mata enfrentou pelo menos dois ciclones e uma tempestade tropical que provocaram estragos avultados, com queda de árvores centenárias e cortes de caminhos. A tempestade Leslie foi especialmente devastadora, o que levou ao encerramento durante meses da Mata e ao investimento de quase um milhão de euros em ações de recuperação, que ainda decorrem.

A situação financeira é, naturalmente, complicada, devido ao encerramento forçado. Marqueiro adianta que em cada semestre são pagos 250 mil euros em salários aos 40 colaboradores da Fundação. De resto, é a Câmara a suportar financeiramente a Fundação, modelo que o autarca quer ver repensado.

O objetivo é encontrar um modelo que permita partilhar custos com a administração central, sobretudo tendo em conta o valor histórico e natural da Mata. Atualmente, a Fundação tem como fonte de financiamento as receitas das bilheteiras, as comparticipações comunitárias em projetos, apoio de mecenas e as transferências da autarquia da Mealhada, que integra o conselho de gestão.

“Recorde-se que, de acordo com os estatutos da fundação (alínea A do artigo 14), constituem receitas da FMB (…) a contribuição financeira anual concedida pela Câmara Municipal da Mealhada”, justifica a autarquia, que recentemente fez mais uma transferência de 30 mil euros para a entidade que gere o conjunto florestal e de edifícios candidato a Património da Mundial da UNESCO.

Com 105 hectares, a Mata Nacional do Buçaco foi plantada pela Ordem dos Carmelitas Descalços no século XVII, encontrando-se delimitada pelos muros erguidos pela ordem para limitar o acesso.

Para além da Mata centenária, o conjunto patrimonial do Bussaco, que foi declarado monumento nacional em 2017, apresenta um núcleo central formado pelo Palace Hotel do Bussaco (instalado desde 1917 num pavilhão de caça dos últimos reis de Portugal) e pelo Convento de Santa Cruz, a que se juntam as ermidas de habitação, as capelas de devoção e os Passos que compõem a Via-Sacra, a Cerca com as Portas, o Museu Militar e o monumento comemorativo da Batalha do Buçaco.

Os cruzeiros, as fontes (com destaque para a Fonte Fria com a sua monumental escadaria) e as cisternas, os miradouros e as casas florestais, compõem o vasto conjunto do património.

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