Opinião: Turismo

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Esta semana que passou, por várias razões, ouvi falar sobre turismo. Coisas bem pensadas, outras nem por isso e outras ainda completamente sem sentido.
Comecemos pelas que não fazem sentido nenhum. Marcelo Rebelo de Sousa (PR), António Costa (PM) e a Ministra da Cultura (Graça Fonseca) foram assistir a um espetáculo no Campo Pequeno, organizado por um daqueles “humoristas” que dizem tudo e o seu contrário em menos de 30 microssegundos (Bruno Nogueira, o tal que se fartou de “carregar” na CGTP por causa do 1º de Maio), onde estavam mais de 2000 pessoas. As imagens são esclarecedoras da insensatez, da gritante falta de exemplo e da incapacidade de perceber que podemos estar a deitar tudo a perder. Os custos do COVID-19 serão gigantescos. O Conselho de Finanças Públicas fala numa queda do PIB entre 7.5% e 11.8%, do desemprego a disparar para 13.1% e da dívida a chegar a 141,8% do PIB em 2020. No entanto, por total irresponsabilidade e ausência de exemplo, os nossos governantes, em desespero, podem estar a deitar ao lixo todo o sacrifício feito durante os meses de isolamento, no qual foi perdido muito dinheiro (a generalidade dos portugueses não pode ir trabalhar, nem criar valor) e a retirar sentido aos sacrifícios que aí vêm. Posso estar enganado, mas não vi Mário Centeno a participar em nada disto, o que é muito significativo. Mantém uma postura de Estado, dando exemplo e trabalhando para minimizar efeitos.
A falta de exemplo legitima o comício que o PCP tem agendado para as 17:00 do próximo domingo, no Parque Eduardo VII. A partir de agora, nada podem criticar. Mas podemos todos vir a lamentar e muito.
Ainda dentro de algum desespero, li uma entrevista nas Beiras em que o Presidente da AHRESP se queixava do momento dramático que se vive e afirmava “Tínhamos uma galinha de ovos de ouro. Fazíamos omeletes, ovos estrelados, tudo e mais alguma coisa, e, de repente, a galinha desapareceu”. Dizia ainda que “os cancelamentos continuam a chegar e as reservas, essas, são como água no deserto nas unidades hoteleiras da cidade”. A parte estranha é que, no mesmo jornal, umas páginas à frente, Pedro Machado do Turismo do Centro, falava, com ânimo, das reservas hoteleiras na região centro (referindo-se em particular à Figueira da Foz).
Numa sessão sobre esse assunto, organizado pela plataforma Coimbra 2030, a que assisti online, vi, no entanto, com preocupação, alguma impotência e navegação à vista. Se a Universidade de Coimbra, por intermédio do vice-reitor Luís Simões da Silva, tinha ideias muito claras e propostas que apostavam na capacidade de reinventar a oferta turística da Universidade, do Museu da Ciência, do Jardim Botânico, etc., as restantes intervenções pareceram-me mais de lamento, impotência e expectativa na ajuda do Estado para que tudo pudesse “normalizar”. No entanto, e posso estar totalmente enganado, dá-me ideia de que a situação dramática que vive o Turismo e atividades conexas em Coimbra, exige que tudo se reinvente (sim, começando do zero – na oferta, na capacidade de atrair, nas atividades, na forma de acesso, na divulgação, na conjugação de iniciativas com outras valências culturais e científicas, na capacidade de chegar aos mais novos, etc.). Eu sei que há muito dinheiro para gastar, e muitos se vão sentar à mesa para “ajudar” nessa tarefa, mas é fundamental que se reinvente todo o setor. Nada será como dantes, por muito que o status-quo queira “normalizar”.
Como ideia, deixo a sugestão de organizar a grande diversidade de oferta museológica na área científica que existe em Coimbra, para fazer um Museu de Ciência que se espalhe por toda a cidade e crie uma rota, com motivos científicos, culturais, gastronómicos, etc., que atraia pessoas para andar pela cidade e ficar por cá uns dias. Se calhar, juntando as escolas, Coimbra podia organizar um grande festival de ciência anual. Coimbra é conhecimento e ciência. Nós sabemos fazer isso e isso atrai pessoas. Querem que faça um esquema?

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