Opinião: Património Mundial no atípico ano de 2020

Posted by

DR

O ano de 2013 foi marcado pelo momento de consagração da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia enquanto Património Mundial da UNESCO, reconhecendo o importante papel cultural desempenhado pela Cidade do Conhecimento em prol da humanidade. Com um edificado de valor incalculável, uma história marcante a nível mundial e um contributo decisivo para o desenvolvimento da língua portuguesa, este título relevou a enorme influência nacional e internacional de Coimbra, aumentando a sua responsabilidade na preservação dos espaços e na formação das diversas gerações de portugueses e de estrangeiros que nos procuram.
Ao longo destes 7 anos a consequência desta classificação foi imediata para a Região Centro, tornando-se a zona histórica o epicentro deste sucesso: o turismo disparou; a economia teve um impulso muito significativo; e o cosmopolitismo fez-se notar consideravelmente. Em suma, Coimbra tornou-se mais atrativa e competitiva, uma porta para o mundo conhecer património material e imaterial único, tradições académicas históricas e produções culturais e científicas impactantes.
Universidade, cidade, entidades nacionais e cidadãos, enquanto protetores destes bens, enfrentam inúmeros desafios, sendo os maiores precisamente resultantes deste ano de 2020 que se veio a tornar completamente atípico. Ainda no início deste ano discutíamos a importância de melhor organizar o turismo, diminuindo a poluição ambiental e visual provocada pelos inúmeros autocarros turísticos que todos os dias subiam até ao Pólo I da Universidade. Depois, com o surgimento da pandemia provocada pela COVID-19, fomos forçados ao encerramento dos circuitos visitáveis por razões de segurança pública, levando a uma quebra brutal desse mesmo turismo. E, entretanto, foi iniciada uma revolta internacional contra o património, que no nosso caso já não constitui novidade uma vez que um dos principais problemas ao longo destes anos foi precisamente manter o edificado afastado de vandalismos consecutivos.
Com várias respostas em andamento, encontramo-nos a lutar em várias frentes pela preservação do edificado: juntamente com o Município, decidimos evitar o parqueamento de qualquer autocarro turístico na mítica Rua Larga, encontrando alternativas ambiental e visualmente mais sustentáveis para a largada de passageiros e respetivo estacionamento dos veículos; transformámos os circuitos turísticos, começando pela própria instalação da Loja do Turismo da UC no Colégio de Jesus, espaço mais digno e adequado em detrimento do anterior ponto de encontro na Biblioteca Geral; e está a ocorrer um investimento sem precedentes na regeneração urbana e na requalificação de edificado, já visível em muitas das localizações da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia.
Com este esforço coletivo, procuraremos uma conciliação entre o património, a academia, os conimbricenses e os nossos visitantes. Após todas as adversidades, é com renovada esperança que voltaremos mais fortes. Esta será, certamente, a melhor forma de honrarmos o legado histórico de sermos Património Mundial da Humanidade.

Pode ler a opinião de Amílcar Falcão no suplemento especial dedicado aos sete anos da classificação da Universidade de Coimbra, Alta e Sofia no Património Mundial da UNESCO na edição impressa e digital do DIÁRIO AS BEIRAS

Leave a Reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

*

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.