Opinião: Inspeções necessárias

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No momento em que escrevo este texto, verifica-se a necessidade de uma maior vigilância sobre os comportamentos de alguns cidadãos nacionais e estrangeiros que, loucamente ou incompetentemente, põem em risco vidas e economias locais, afetando o todo nacional. Talvez sejam de novo necessárias inspeções feitas ao mais nível, tal como acontecia quando se escrevia: “Observa-se uma longa permanência de D. João I em Coimbra, que (foi) apenas interrompida com duas idas a Tentúgal de permeio se estende até, pelo menos, 12 de Abril.1”
Era assim um Rei que percorria o país, dando soluções conforme o que via de modo atento e demorado, mas, neste desastre global, que é este novo coronavírus em modo pandémico, verificamos que a agravar tudo estão os comportamentos anómalos de governantes como Bolsonaro e Trump, que impõem a sua vontade, apesar do muito bom senso que existe por todo o lado.
Mesmo em Portugal existem focos inesperados que alguns mandantes não querem ver por a sua eliminação ter repercussões em algumas grandes empresas ou em interesses locais, como é o Turismo de Verão, sendo por isso impensável que o presidente da Ordem dos Médicos do Sul, diga que se houver “um surto de cem casos em Faro ou Portimão vamos ter de fechar o Algarve”, acrescentando o Bastonário da Ordem dos Médicos que criar uma cerca sanitária é sempre uma decisão da Direção-geral de Saúde. Mas, há que estar atento a festas que partindo de vontades isoladas podem repercutir-se em novos surtos, que colocam em causa a normalidade da vida coletiva.
Entretanto, anda o país em alerta perante, sem que haja abrandamento dos medos que o paralisam em muitas das suas atividades vitais. De facto, enquanto estiverem a surgir com persistência mais casos de contágio, Portugal está numa posição desconfortável tanto a nível da saúde como no aspeto da retoma económica. De facto quase todos se confinarão, mantendo distanciamentos sociais e outros não virão fazer turismo no nosso país por temerem os nossos inenarráveis comportamentos, que só vão acontecendo por muitos pensarem que podem fazer o que lhes dá na gana.
Não será também o teletrabalho que encherá as nossas praias e os nossos campos, nem será ele que vai resolver os seus problemas já que implicam a sua observação local.
Todos sabemos que a pandemia só se extinguirá com a observação das regras que vão sendo emitidas e corrigidas se necessário pela Direção Geral de Saúde.
Sabemos bem que os comportamentos individuais que as não cumpram só agravam a nossa vida pessoal e coletiva.

1 Arquivo Nacional da Torre do Tombo, Chancelaria de D. Duarte, livro 1, folha 51 conforme Humberto Baquero Moreno – Os Itinerários de El-Rei Dom João I, ( 1384-1433 ), Instituto de Cultura e Língua Portuguesa, Ministério da Educação, Lisboa, 1988, p. 65.

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