Opinião: Hospital dos Covões

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Hospital da Colónia Portuguesa do Brasil, o Hospital dos Covões, haveria de ser o Hospital Bissaya Barreto. Se não fosse a revolução, talvez isso tivesse acontecido.
Integrá-lo no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC) talvez, mas acabar com ele nunca.
Finalmente Coimbra despertou. Milhares unidos pelos Covões… Nuno Santos, Reitor do Seminário Maior de Coimbra, e Carlos Costa Almeida, Professor da Faculdade de Medicina de Coimbra e Director do Serviço de Cirurgia do hospital geral (HUC), expõem as razões – aliás sábias, porque discordam. E finalmente uma manifestação popular: milhares unidos pelos Covões como frontispício de um jornal diário local.
Unamo-nos! Finalmente despertou-se. A acrescentar às razões apresentadas e defendidas, atrevo-me a apresentar como exemplo o crime que se tem cometido contra o serviço de Ortopedia. Era o maior e ficava entre os melhores da Europa. Tinha 350 camas e 15 salas de operações, a maior parte delas agora fechadas. Tinha todas as sub-especialidades. Mas, se tinha aquela qualidade, deve-se à Fundação Calouste Gulbenkian e à Associação Internacional para o Estudo da Osteossíntese. Quanto à Gulbenkian e aos seus presidentes: foi Reitor da Universidade de Coimbra o Professor Ferrer Correia; Vítor Sá Machado licenciou-se também nesta cidade, igualmente de Direito; e deve-se a litotrícia ao Doutor Reimão Pinto que foi chefe da Missão do Sono e Outras Endemias da Guiné Portuguesa, dando primazia a Coimbra em detrimento do Hospital Francisco Xavier, em disputa com a Ministra da Saúde de então.
É altura de o Reitor da Universidade de Coimbra se pronunciar como fez o Reitor do Seminário Maior de Coimbra. Tem muitas cabeças com diversas idades e valências para ouvir e escutar. A decisão é sua. Mas o mutismo deste momento é impudor quanto à verdade.
Se há democracia, embora falsamente assim designada, deve-se a Coimbra, Universidade e Faculdade de Medicina.
E Vossa Excelência, Senhor Presidente da Câmara, se ficar silencioso, continuará a ter a mansidão de não agitar as águas e ficará das múltiplas suas águas não ter feito nada por Coimbra.
É agora o momento crucial, imponha-se a vinda para Coimbra da televisão e equivalente à Emissora Nacional que foi para o Porto, como levaram de Coimbra para Castelo Branco a Direcção Regional de Agricultura. Hoje não temos agricultura nem quem a defenda. Sem agricultura somos um castelo cercado. Levaram para Aveiro a direcção regional do Turismo… Sinto-me envergonhado que Coimbra – sendo o centro do país e ainda a capital que foi temporariamente para Lisboa – consinta ser assim vilipendiada.
Na avenida Sá da Bandeira colocaram o monumento a Camões que esteve abandonado ao lado do Jardim Botânico, virado para a Biblioteca Geral. No meu tempo, se não fosse tão pesado, chegámos a pensar levá-lo para o último degrau das escadas monumentais. Em vez disso, está na Sá da Bandeira, avenida nobre cujas casas que a rodeiam estão em agonia.
Os nossos governantes, pacíficos, não olham para o lado, preferindo passar por cegos, para justificar a sua surdez e o seu mutismo.
Unamo-nos! Termine-se com este imperialismo da ineficácia ou ignorância.

One Comment

  1. Cristina Castela says:

    Revejo-me nas palavras deste Ilustre Colega.
    Fiz a parte final do meu curso nos Covões e gostei de tudo , e fiquei orgulhosa de o fazer. Embora longe, no inerior do País peço também ao sr Presidente da Câmara de Coimbra que ajude a não fechar um Hospital Público , e, depois deixar abrir todos os privados , que serão decerteza necessários pricipalmente as urgências.

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